ALERTA CLIMÁTICO
Senado debate preparação do Brasil para intensificação do El Niño
Especialistas e parlamentares discutiram nesta sexta-feira (28.mai.2026) a urgência de políticas de prevenção contra os impactos do fenômeno, que deve se intensificar a partir do 2º semestre.
O Brasil precisa intensificar seus preparativos para enfrentar um El Niño com potencial de ser mais severo. Previsões indicam que o fenômeno, conhecido por causar chuvas intensas no Sul e seca acentuada no Norte e Nordeste, pode apresentar impactos mais fortes a partir do segundo semestre de 2026. A constatação foi feita nesta sexta-feira, 28 de maio de 2026, durante uma sessão temática promovida pelo Senado.
Conduzido pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), o debate reuniu congressistas, especialistas e representantes do governo para discutir não apenas a previsão, mas, principalmente, a necessidade de aperfeiçoar as políticas de prevenção. "O problema não é a falta de previsão; o problema é a falta de prevenção [por parte do governo]", ressaltou Esperidião Amin, enfatizando a urgência de ações concretas para mitigar danos em setores como agricultura, abastecimento de água e proteção de populações em áreas de risco.

O El Niño é desencadeado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico Equatorial, alterando padrões de ventos e o clima global. Pesquisadores do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo projetam que 2027 pode se tornar o ano mais quente já registrado no planeta, impulsionado pela intensificação do fenômeno nos próximos meses. Essa "nova realidade climática", como definida pelo senador Hermes Klann (PL-SC), exige que o país vá além do monitoramento e invista em medidas eficazes de adaptação.

O pesquisador Carlos Nobre alertou que o fenômeno ocorre em um contexto de aquecimento global acelerado, onde cada evento climático tende a superar recordes anteriores. Com uma probabilidade de 92% de início do El Niño em maio, junho e julho de 2026, e 98% de ser forte ou muito forte entre outubro e dezembro, a preparação se torna indispensável. Nobre destacou que centenas de milhares de pessoas em estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina vivem em áreas de risco, necessitando de atenção especial.
Regina Célia dos Santos, diretora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais do Ministério da Ciência e Tecnologia, confirmou que o governo está monitorando a situação e se preparando para minimizar impactos. Embora as projeções atuais indiquem um El Niño forte, mas não extremo, ela ressaltou a necessidade de vigilância contínua, pois o cenário pode evoluir. O foco é identificar as regiões mais vulneráveis a excesso ou escassez de chuvas.
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) enfatizou a necessidade de ações efetivas, especialmente após as enchentes de 2024. Ele defendeu que novas obras públicas financiadas com recursos federais adotem parâmetros climáticos atualizados e que gestores públicos garantam a exequibilidade dos planos de contingência. A discussão, segundo Hermes Klann, deve também envolver a sociedade civil organizada e o setor produtivo, pois parte da população ainda desconhece a gravidade do assunto.
As recomendações discutidas no Senado serão incorporadas na próxima edição da cartilha temática da Casa, prevista para ser publicada em 2024. O debate contou ainda com a participação de José Antônio Aravéquia (Inpe), o deputado federal Carlos Chiodini (MDB-SC), o prefeito de Navegantes (SC), Ricardo Muniz Ventura, e o jornalista Fernando Gabeira.
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