DISPUTA ENTRE CASAS

Senado avança com projeto alternativo sobre minerais críticos e gera reação

Plenário da Comissão de Serviços de Infraestrutura durante votação de projetos minerários.
CI discute substitutivo ao projeto de minerais críticos no Senado.

Proposta do Senado altera pontos sensíveis do texto da Câmara, reduzindo poder de homologação estatal e criando ZPTM para atrair investimentos.

A Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) do Senado colocou em pauta nesta terça-feira, 14/07/2026, a análise de um substitutivo que altera a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A decisão de priorizar o PL 4.443/2025, de autoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL), surpreendeu representantes do setor privado e deputados que concentravam esforços no PL 2.780/2024, texto já aprovado pela Câmara.

O relator da matéria, senador Wilder Morais (PL-GO), apresentou parecer favorável ao projeto, que traz mudanças significativas em relação ao modelo defendido pelos deputados. A movimentação é vista nos bastidores como uma estratégia do Senado para retomar o protagonismo na definição das regras do setor, uma vez que o projeto tramita em caráter terminativo na comissão.

Entre as alterações, destaca-se a retirada da capacidade de “homologação” de operações societárias por parte do governo. No texto original da Câmara, a ANM (Agência Nacional de Mineração) e um conselho gestor teriam papel decisivo em transações consideradas estratégicas. O parecer de Wilder substitui essa prerrogativa por “registro e acompanhamento”, suavizando a interferência estatal em contratos privados e segurança econômica.

Além disso, o novo texto exclui o prazo de dez anos para pesquisa mineral e suprime a autorização geral para que o governo imponha restrições diretas às exportações de minerais. Contudo, a proposta mantém diretrizes robustas, como a criação das ZPTM (Zonas de Processamento de Transformação Mineral), incentivos fiscais, fundos garantidores e a exigência de investimentos em P&D.

A tramitação é definitiva dentro da CI. Caso aprovado, o projeto segue diretamente para a Câmara dos Deputados, invertendo a lógica de negociação e forçando os deputados a analisarem as alterações do Senado como Casa revisora. O alcance real das medidas, contudo, ainda dependerá de regulamentação posterior pelo Poder Executivo.

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