FIM DA PROTEÇÃO
Senado aprova medida que dificulta aborto legal para menores vítimas de estupro
Projeto de Decreto Legislativo aprovado pelo Senado suspende regulamentação do aborto para menores, impactando meninas que buscam o procedimento legal em casos de violência sexual e outras situações previstas em lei. A decisão segue para sanção e pode aumentar as barreiras de acesso.
Em uma votação rápida, o plenário do Senado Federal aprovou na última terça-feira (02), o projeto de decreto legislativo (PDL) que suspende a regulamentação para o aborto legal de menores de idade. A decisão, que precisa ser sancionada, tem o potencial de erguer novas barreiras para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual que buscam o acesso a um direito previsto em lei.
Na prática, o PDL revoga os efeitos de uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e pode dificultar o aborto legal em casos de anencefalia fetal, risco de vida para a gestante e gravidez decorrente de violência sexual. A proposta já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados em novembro de 2025 e agora aguarda sanção para entrar em vigor, suspendendo a normativa que visava facilitar o acesso a esses procedimentos.
A medida entra em conflito com políticas de proteção à infância e adolescência, uma vez que o Brasil registra cerca de mil partos por semana de meninas entre 10 e 19 anos. Dados indicam que a realidade das vítimas de estupro que buscam o aborto legal é de grande vulnerabilidade, com muitas precisando percorrer centenas de quilômetros para acessar o serviço, e apenas 1,8% das cidades brasileiras oferecendo unidades de referência.
A jurista Luciana Temer, professora da PUC-SP e presidente do Instituto Liberta, analisou o texto aprovado, comparando a legislação brasileira com a de outros países. Ela destaca que a decisão do Senado vai na contramão de esforços internacionais e nacionais para garantir a dignidade e a saúde de meninas em situações de extrema vulnerabilidade.
O médico obstetra Olímpio Barbosa de Moraes Filho, diretor do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam) em Recife e professor da Universidade de Pernambuco, detalhou o atendimento prestado a menores que buscam o aborto legal. Ele ressalta as condições físicas e emocionais em que essas jovens chegam aos consultórios, evidenciando a urgência e a necessidade de acolhimento e acesso facilitado aos seus direitos.
O podcast O Assunto, produzido pelo g1, aprofunda este tema com a apresentação de Natuza Nery, e a participação dos especialistas. A iniciativa busca informar e debater as implicações dessa decisão, que afeta diretamente a vida e os direitos das meninas no Brasil.
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