DÍVIDA RURAL ADIADA

Senado adia votação de alívio ao agro por falta de consenso com governo

Senado adia votação de alívio ao agro por falta de consenso com governo

PL 5122/23 propõe R$ 30 bilhões em renegociação; prazo de pagamento de até 10 anos.

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal adiou a votação do Projeto de Lei (PL) 5122/23, que propõe uma linha especial de financiamento para renegociação de dívidas de produtores rurais impactados por eventos climáticos, nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026. A decisão, tomada após pedido de vista da senadora Tereza Cristina (PP-MS) a pedido do governo, busca dar mais tempo para o Executivo calibrar a proposta e resolver pontos de divergência. O adiamento prolonga a incerteza para milhares de famílias de agricultores em todo o Brasil, que dependem urgentemente dessa medida para se reerguerem diante dos prejuízos causados por desastres naturais.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) havia lido seu parecer sobre o PL 5122/23 na própria quarta-feira, 13 de maio de 2026, perante a CAE. O relatório incorpora demandas cruciais do setor agropecuário, como a ampliação do alcance da renegociação para operações contratadas até 31 de dezembro de 2025, a autorização para novas fontes de recursos e a flexibilização dos critérios ligados às perdas climáticas. Estas medidas visam oferecer um respiro financeiro significativo para quem enfrenta as cicatrizes dos desastres.

A proposta do senador Calheiros prevê a utilização de receitas do Fundo Social (FS), além de superávits de outros fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda, para bancar a renegociação das dívidas rurais. A inclusão dessas fontes busca garantir a viabilidade da ajuda necessária.

O texto também abrange diversas modalidades de crédito, permitindo a inclusão de operações de crédito rural, Cédulas de Produto Rural (CPRs) e empréstimos utilizados para quitar débitos agrícolas. Essa abrangência é fundamental para alcançar um número maior de produtores em situação vulnerável.

Para a linha especial de financiamento, o relatório estabelece um limite global de R$ 30 bilhões, com prazo de pagamento de até dez anos e carência de três anos. As taxas de juros são diferenciadas, variando entre 3,5% ao ano para beneficiários do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e 7,5% para os demais produtores, visando apoiar de forma justa os diferentes perfis de agricultores.

Entre as inovações trazidas por Renan Calheiros, destaca-se a ampliação do período considerado para reconhecimento de calamidades climáticas, que passa de 2020 para o intervalo entre 2012 e 2025. O relator também incluiu a possibilidade de usar recursos adicionais, como superávits de fundos públicos e outras fontes a serem definidas pelo Executivo. Essa visão mais ampla reconhece a longa batalha de muitos produtores contra as adversidades.

Na justificativa do parecer, o senador sublinha a urgência da proposta para enfrentar os impactos crescentes de eventos climáticos extremos sobre o setor agropecuário. Ele citou prejuízos alarmantes de R$ 732 bilhões causados por desastres climáticos no Brasil entre 2013 e 2024, números que revelam o sofrimento e a resiliência dos que vivem da terra.

O projeto tem sido alvo de intensas negociações há semanas, envolvendo parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a equipe econômica e o Ministério da Fazenda. Esse diálogo contínuo reflete a complexidade e a importância da matéria para o futuro do agronegócio nacional.

Após uma nova reunião com o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, na terça-feira, 12 de maio de 2026, a senadora Tereza Cristina apontou divergências persistentes. Os principais impasses envolvem os critérios de enquadramento das dívidas e o prazo das operações elegíveis para renegociação.

Segundo a senadora, a proposta do governo sugere contemplar operações contratadas até 1º de julho de 2025, enquanto a bancada ruralista busca estender esse limite para 31 de dezembro de 2025. "A gente acha que fica muita gente fora", afirmou, expressando a preocupação de que muitos agricultores fiquem desamparados.

Outro ponto sensível em debate é a questão das garantias das operações antigas. A negociação visa um modelo que libere as garantias vinculadas às dívidas renegociadas, permitindo que sejam usadas para novas operações de crédito, um incentivo crucial para a retomada do crescimento.

Depois do encontro com Durigan, Tereza Cristina reforçou que governo e Congresso ainda buscam um consenso sobre as fontes de recursos e o impacto fiscal da proposta. A busca por equilíbrio fiscal e a urgência de apoio aos produtores rurais são dois lados de uma mesma moeda.

Ela mencionou que o Ministério da Fazenda trabalha com uma alternativa que disponibilizaria cerca de R$ 86 bilhões, enquanto os parlamentares defendem a ampliação desse montante, propondo o uso de fundos constitucionais e fundos garantidores que poderiam chegar a até R$ 170 bilhões. A diferença nesses números ilustra a magnitude do desafio e a esperança de um apoio robusto.

O presidente da FPA, o deputado federal Pedro Lupion, destacou à CNN Agro que a prioridade da bancada, neste momento, é avançar em uma solução definitiva para o endividamento do setor agropecuário. Essa prioridade reflete o clamor de uma base produtora que sustenta o país.

Segundo Lupion, o aumento dos juros, a redução das subvenções ao seguro rural e a crescente dependência do crédito privado agravaram a situação financeira dos produtores. "A gente precisa fazer com que o governo entenda que, de fato, existe um grande problema", disse Lupion, transmitindo a seriedade da crise.

A expectativa era votar o projeto na quarta-feira, 14 de maio de 2026, mas, diante dos pontos ainda em negociação com a Fazenda, a tendência é que a análise seja protraída para a próxima semana. Esta prorrogação, embora necessária, testa a paciência e a esperança de quem aguarda essa decisão vital.

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