ECONOMIA EM ALERTA
Sedec confirma queda na produção de petróleo do RN
Estado registra retração de 15,85% em terra e 15,42% no mar no 1º trimestre de 2026. Setor busca soluções para campos maduros.
A Secretaria de Estado do Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Sedec) revelou, nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, que a produção de petróleo no Rio Grande do Norte sofreu uma queda significativa no primeiro trimestre do ano. Os dados do Boletim de Petróleo e Gás apontam uma retração de 15,85% na extração em terra (onshore), totalizando 2,25 milhões de barris, e de 15,42% no mar (offshore), com 163 mil barris, em comparação ao mesmo período de 2025. Essa redução impacta diretamente a economia estadual e acende um alerta sobre a geração de empregos e a arrecadação de receitas, sendo atribuída principalmente à dinâmica operacional de campos maduros e à diminuição de novos projetos de exploração.
Essa tendência de queda não se limita ao petróleo. A produção terrestre de gás natural também recuou 20,34%, saindo de 95,32 milhões para 75,93 milhões de metros cúbicos no trimestre. Em contraste, o segmento offshore de gás natural registrou um leve crescimento de 2,75%, passando de 12,41 milhões para 12,75 milhões de m³.
A Sedec explica que as variações observadas refletem a dinâmica de campos maduros, com a natural redução da pressão dos reservatórios ao longo do tempo. O comportamento do gás natural segue, em grande parte, a produção de petróleo associada, além de fatores operacionais específicos. Para o Estado, isso significa um desafio contínuo para manter a vitalidade do setor.
O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), órgão licenciador vinculado à Sedec, reforça que a queda não decorre de morosidade na análise de processos. Seu relatório aponta uma "diminuição da entrada de novos processos prioritários no período, especialmente aqueles relacionados à exploração e perfuração de poços". Em vez disso, o cenário se associa à reavaliação de projetos pelas operadoras, levando ao abandono temporário de determinados empreendimentos ou a solicitações de prorrogação de licenças existentes, em substituição à abertura de novos pedidos.
Um fator adicional que contribuiu para o quadro de produção foi a interdição temporária de instalações operacionais de uma das empresas que operam boa parte dos poços maduros ativos no RN, ocorrida no último trimestre de 2025. Essa medida foi decorrente de adequações técnicas exigidas após auditoria realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), impactando a capacidade produtiva.
Hugo Fonseca, secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, enfatiza o compromisso do Governo do RN com o setor. "Estamos atentos, e todas as instâncias da gestão devidamente mobilizadas para avaliarmos se há algo além do que já fazemos e que seja da nossa competência para atuarmos. É uma questão preponderantemente técnica e as empresas estão trabalhando para superar", afirma. Ele ressalta a importância vital da indústria para a geração de empregos e receita no estado, garantindo que o acompanhamento é permanente.
Apesar da retração, a Sedec avalia que o setor permanece consolidado, com participação relevante na economia potiguar. A análise também aponta para oportunidades futuras, como a ampliação de investimentos, a recuperação de campos maduros e o fortalecimento de toda a cadeia produtiva de petróleo e gás no Rio Grande do Norte, buscando reverter o quadro atual e impulsionar o desenvolvimento.
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