ENGENHARIA COSTEIRA EFICAZ

Secretario de Natal defende engorda de Ponta Negra contra críticas

Secretario de Natal defende engorda de Ponta Negra contra críticas

Thiago Mesquita, da SEMURB, garante que "espelhos d'água" freiam erosão e areia é de qualidade; obra custou R$ 100 milhões.

Em uma defesa veemente da obra de engorda da praia de Ponta Negra, o Secretario de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (SEMURB), Thiago Mesquita, refutou, neste sábado, 02 de maio de 2026, as críticas sobre a eficácia da drenagem e a qualidade dos sedimentos. Ele afirmou que os chamados “espelhos d’água” são, na verdade, uma solução técnica essencial para frear a erosão e que a areia utilizada é de alta qualidade. Esta explicação detalhada visa dissipar preocupações da população sobre um investimento de aproximadamente R$ 100 milhões, crucial para a proteção do Morro do Careca e para a revitalização de um dos cartões-postais de Natal, beneficiando diretamente a dignidade e o lazer dos natalenses e turistas.

A cada período de chuvas, surgem narrativas de que a obra de engorda de Ponta Negra, em Natal, apresenta falhas na drenagem ou até mesmo presença de esgoto na praia. Questionado sobre a veracidade dessas alegações, o Secretario Thiago Mesquita foi enfático:

"Essa é uma narrativa completamente insustentável".

Em entrevista exclusiva ao BNews Natal, Mesquita apresentou posicionamentos técnicos sobre o passado, o presente e o futuro da engorda, como parte de uma série de reportagens. Na primeira matéria, publicada na sexta-feira, 1º de maio de 2026, o Secretario explicou o processo de licenciamento ambiental e negou invasão ao prédio do IDEMA, ou qualquer tentativa de pressão para acelerar a liberação das licenças ambientais.

Nesta segunda parte, Mesquita aprofunda a defesa da eficácia dos “espelhos d’água” que aparecem na faixa de areia e aborda a qualidade dos sedimentos dragados do fundo do mar para a execução da engorda. Uma última matéria, que será publicada no domingo, 3 de maio de 2026, focará nos desafios futuros para a Prefeitura de Natal aprimorar a obra e garantir o máximo usufruto da praia pela população.

A engorda da praia de Ponta Negra, uma intervenção que custou aproximadamente R$ 100 milhões com recursos federais e municipais, ampliou cerca de 4 km de orla, estendendo-se do Morro do Careca até o início da Via Costeira. Mais de 1 milhão de metros cúbicos de sedimentos foram utilizados, retirados de uma jazida a cerca de 10 km da costa. A obra aumentou a faixa de areia em aproximadamente 100 metros na maré baixa e 50 metros na maré cheia, transformando radicalmente o espaço disponível.

Conforme o Secretario, o novo sistema da engorda foi concebido para desacelerar a água da chuva, prevenindo as enxurradas que, anteriormente, aceleravam a erosão e levavam a água diretamente ao mar. Com a requalificação, foram instalados dissipadores que reduzem a velocidade do fluxo, criando os chamados “espelhos d’água”.

O Secretario ressalta que esses espelhos são formados por água da chuva e não por esgoto. Eles tendem a desaparecer rapidamente por infiltração. Ele reconhece a possível existência de ligações clandestinas de esgoto, mas destaca que este é um problema comum em cidades litorâneas, não uma falha intrínseca à obra.

O gestor também enfatiza que a água acumulada ocupa apenas uma porção da faixa de areia, sendo um fenômeno temporário que não compromete o uso da praia pela população. Mesquita conclui que, após a obra, houve um aumento notável na área útil da praia e na sua utilização, mesmo após períodos de chuva, resgatando a função social do espaço.

"A concepção da nova drenagem é desacelerar a descida da água da chuva, como era lá em 2023, antes da drenagem da engorda. A água descia como uma enxurrada, contribuindo para a erosão, e se comunicava diretamente com o mar. A gente não percebia. Chovia tanto que o mar batia na Av. Erivan França. Vinha aquela enxurrada de água de chuva e havia uma comunicação direta, e ninguém percebia a descida dessa água, a não ser pelas cachoeiras e, depois, pelas voçorocas que se formavam na areia da praia. Ninguém percebia isso porque havia toda essa problemática da ausência da faixa de areia e também da metodologia da drenagem, que era terrível. Ela mesma contribuía para a erosão da praia", explicou o Secretario.

Em vídeo divulgado, Thiago Mesquita registrou uma visita recente à praia de Ponta Negra. As imagens mostram a Rota do Sol, onde começa a bacia de drenagem que desce para a praia, e exibem os danos que as águas das chuvas causavam à orla antes das obras da engorda.

"Com a requalificação da drenagem, nós colocamos 16 dissipadores com obstáculos, com chicanes, que reduzem drasticamente a velocidade dessa água. E, quando esses dissipadores entram nessas caixas, nesses reservatórios, a água sai lateralmente, de forma espraiada, bem vagarosamente, formando os espelhos d’água. Repetindo: esses espelhos são de água de chuva, não é esgoto in natura que desce", reiterou.

Sobre as ligações clandestinas, o Secretario admitiu que "Pode. E há. Infelizmente, é uma realidade de qualquer litoral, de qualquer cidade brasileira, que, inclusive, a SEMURB tem combatido bastante. Foram 52 ações realizadas entre 2025 e 2026 pela secretaria, com cerca de 120 estabelecimentos/imóveis vistoriados. Resultado das ações: 73 autos de infração lavrados. Destes, 42 foram resolvidos e os outros estão em mitigação ou defesa. Foram aplicados ainda cerca de R$ 500 mil em multas", revelou Thiago Mesquita.

Ele esclarece ainda que os espelhos d’água "São uma solução de drenagem. Eles formam uma camada muito rasa de água lateralmente, que corresponde de 20% a 25% do aterro hidráulico. De 70% a 75%, a areia continua intacta, sem qualquer presença de água, a não ser a umidade da chuva que cai do céu", detalhou.

O titular da Secretario de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal acrescenta que os espelhos d’água que se formam ao longo da costa da Av. Erivan França são, em sua maioria (80% a 90%), absorvidos pela areia quando a chuva cessa. "Choveu 136 mm em Ponta Negra na semana passada, e eu estive na praia pela manhã. Nós vimos que quase 80% de todo o espelho d’água já havia infiltrado. Depois, recebemos imagens mostrando que praticamente 100% da água — restando apenas uma pocinha ou outra — já havia infiltrado, demonstrando, de fato, a eficiência do sistema. A formação desses espelhos d’água é temporária. Rapidamente, eles desaparecem", destacou.

"Essa é a solução adotada, até porque ninguém vai à praia quando está chovendo. Vale lembrar que, anteriormente, tínhamos pouquíssimas horas para desfrutar de uma pequena faixa de areia, em torno de 6 a 8 metros, por apenas 4 a 6 horas por dia. E, quando chovia, era ainda pior, porque desciam enxurradas pela drenagem ineficiente da época. O mar batia na Av. Erivan França, invadia a avenida e a água chegava à pista. Então, ninguém frequentava. E ninguém frequenta, em lugar nenhum do mundo, quando está um toró, chovendo como foi na sexta-feira da semana passada", acrescentou.

Thiago Mesquita finalizou, reforçando o sucesso da obra: "A formação dos espelhos d’água, nesse contexto, infiltra muito rápido e tem comprometido muito pouco o uso da praia. Pelo contrário. No ano passado, em 2025, tivemos 333 dias sem chuva em Natal. Ou seja, tivemos praticamente 24 horas de uso do aterro hidráulico, com uma faixa de areia entre 50 e 80 metros em toda a extensão de Ponta Negra. Houve uma mudança significativa, além da função de conter a erosão. A função social também foi resgatada e as pessoas voltaram a frequentar Ponta Negra. Eu estive lá após a chuva. A praia estava lotada, com famílias jogando bola. Ponta Negra voltou para o natalense e tem sido muito utilizada também pelos turistas."

O Secretario também rebateu críticas sobre a qualidade da areia utilizada na nova jazida, o banco de areia no fundo do mar de onde foi extraído o material para a engorda. Segundo ele, estudos técnicos apontaram que o material possui granulometria adequada, com predominância de areia média a grossa, o que garante maior resistência ao transporte pelas correntes marítimas.

“A jazida apresenta volume suficiente não só para a obra atual, mas também para futuras manutenções, que são naturais em projetos desse tipo”, disse.

Sobre as alegações de que a drenagem não funcionou e que as chuvas teriam comprometido a obra, o Secretario afirma que o sistema implantado tem operado conforme o previsto. Ele sustenta que, mesmo diante de períodos de chuvas intensas em Natal, o aterro hidráulico e os dispositivos de drenagem cumpriram sua função, consolidando os "espelhos d’água" como uma solução eficaz para o controle da água pluvial na faixa de areia.

"Não foi uma intervenção improvisada. Houve planejamento, controle e monitoramento antes, durante e após a execução", afirmou.

O Secretario detalhou o processo de escolha da jazida: "A nova jazida, que foi fruto de um decreto emergencial em setembro de 2024, por causa de um grande problema que nós tivemos, uma chuva, uma maré alta, é uma jazida que foi acompanhada também por uma empresa chamada Caruso, empresa de engenharia de Florianópolis, que fez todos os estudos de quatro praias de Santa Catarina, das engordas recentes, a mais famosa ali de Camboriú, do Balneário Camboriú. E essa empresa, ela que fez análise da jazida, fez análise da granulometria da areia, e concluiu que a jazida era muito boa, excepcional do ponto de vista de volume, de quantidade, porque nós iríamos precisar em torno de 1 milhão e 300 mil metros cubos de areia. Foi isso que nós colocamos em Ponta Negra. Mas a jazida ela tem um volume superior a 13 milhões, ou seja, ela poderá ser utilizada eternamente para fazer as manutenções que são necessárias em qualquer obra de oceanografia e de dinâmica costeira, porque nenhuma dessas obras são definitivas, elas precisam de intervenções e manutenções o tempo todo, como acontece em Fortaleza, que foi a engorda em 2019, na praia de Iracema, e nas praias de Santa Catarina, que são as engordas mais receitas, as que são mais próximas à Ponta Negra", detalhou.

O Secretario finalizou, assegurando que a empresa Caruso também confirmou, através de relatórios, que a qualidade da areia retirada da jazida e lançada sobre a praia de Ponta Negra "era excepcional, porque era uma areia média e grossa, que tinha uma capacidade de resistência muito grande a ser colocada em um ambiente para impedir que esses grãos, eles fossem arrastados com facilidade. Então não procede a informação de que a nova jazida que o município encontrou, ela não é adequada para esta engorda."

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