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Secretário de Estado dos EUA exclui Brasil de lista de aliados

Marco Rubio discursa em coletiva de imprensa na Casa Branca.
Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em coletiva de imprensa na Casa Branca. Foto: REUTERS/Evan Vucci

Marco Rubio citou uma lista de países amigos no continente, mas deixou o Brasil de fora. A declaração ocorre após o presidente Lula criticar o próprio secretário.

O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira, 02/06/2026, que a América possui "uma região cheia de aliados e amigos dos Estados Unidos", mas excluiu o Brasil desta lista. A declaração foi feita em uma coletiva de imprensa na Casa Branca e reforça declarações anteriores do próprio Rubio, que já foram alvo de críticas pelo presidente Lula. A política externa americana, especialmente em relação à América Latina, ganha contornos de tensão com esta afirmação, impactando a percepção de alinhamento entre as nações e a própria importância diplomática do Brasil no cenário global.

Como exemplo de países amigos, Rubio citou a exclusão de "Nicarágua, Cuba, Venezuela e, claro, Brasil". Ele ponderou que o Brasil está "no meio de um ciclo eleitoral" e mencionou a Colômbia em "alguma extensão", antes de concluir que a maioria da região se alinha aos interesses americanos.

Em resposta a declarações anteriores de Rubio, o presidente Lula afirmou em maio que o Secretário de Estado americano é "anti-América Latina" e que já havia alertado o ex-presidente Trump sobre a percepção de que Rubio não gosta do Brasil. Essa troca de farpas evidencia um distanciamento diplomático e pode afetar a cooperação bilateral em diversas áreas.

A sabatina de Rubio no Congresso norte-americano também abordou a guerra no Oriente Médio. O Secretário de Estado negou a interrupção das negociações de paz com o Irã, apesar de relatos da agência de notícias Fars News, ligada ao governo iraniano, indicarem o contrário. Teerã teria cortado as conversas em retaliação a ataques de Israel no Líbano. Rubio sustentou que o governo iraniano concordou em discutir aspectos de seu programa nuclear, um ponto crucial de discórdia.

"As conversas continuam", assegurou Rubio aos deputados, em sua primeira audiência no Congresso desde o início do conflito. No entanto, fontes do governo iraniano contradisseram essa afirmação, indicando que os negociadores não se falam "há dias". O rompimento iraniano seria uma resposta a ataques israelenses em território libanês, que comprometeram o cessar-fogo entre Washington e Teerã.

O cessar-fogo e a busca por um acordo definitivo são temas centrais que devem ser questionados por deputados e senadores a Rubio. A audiência do Secretário de Estado no Congresso seguia em andamento até a última atualização desta reportagem. Rubio, ex-senador republicano, participará de outra audiência no Senado nesta quarta-feira, 03/06.

Mesmo sendo sua primeira vez depoendo perante o Congresso desde o início da guerra, Rubio já havia participado de uma reunião sigilosa com parlamentares logo após os primeiros ataques. Na ocasião, enfrentou críticas de democratas pela falta de autorização prévia do Congresso para a operação, mas obteve forte apoio da maioria republicana.

Contudo, nos últimos dois meses, um grupo crescente de republicanos passou a questionar, junto aos democratas, os altos custos da guerra e seus impactos econômicos, especialmente em ano eleitoral. Uma proposta legislativa para retirar os Estados Unidos do conflito avançou no Senado, com apoio do senador republicano Bill Cassidy. A Câmara dos Deputados chegou a planejar uma votação sobre os poderes de guerra do presidente, mas a liderança republicana impediu a pauta, antecipando a falta de votos suficientes para aprová-la.

Esses episódios evidenciam as dificuldades do Partido Republicano em manter o apoio político à condução da guerra por Trump, à medida que parlamentares da base demonstram mais disposição para contrariar o presidente. Enquanto isso, integrantes do governo, incluindo Rubio, defendem a decisão de Trump de iniciar a guerra contra o Irã, apesar de promessas anteriores de evitar o envolvimento americano em "guerras sem fim" no Oriente Médio.

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