POLÍTICA MUNICIPAL ESTADUAL
Secretária de Saúde de Mossoró rebate críticas estaduais ao Hospital Municipal
Morgana Dantas defende unidade de saúde e acusa Secretário Estadual de Saúde, Alexandre Motta, de politizar a questão em meio ao cenário pré-eleitoral de 2026.
Um embate político se instalou em Mossoró envolvendo o Hospital Municipal Francisca Conceição da Silva, inaugurado em janeiro de 2026 pela Prefeitura de Mossoró. Aliados da governadora Fátima Bezerra (PT) e o grupo político do ex-prefeito Allyson Bezerra (União) trocam acusações sobre a real capacidade e classificação da unidade de saúde. O cenário pré-eleitoral de 2026 intensifica a disputa. O Secretário Estadual de Saúde, Alexandre Motta, e o pré-candidato ao Governo do Estado pelo PT, Cadu Xavier, questionaram publicamente a classificação do equipamento como hospital e sua efetividade no atendimento à população. Em resposta, a Secretária Municipal de Saúde, Morgana Dantas, defendeu o hospital e acusou o governo estadual de tentar desqualificar um serviço que já beneficia milhares de cidadãos. A controvérsia ganhou força após Cadu Xavier visitar a unidade em Mossoró e, em entrevista à rádio Mix FM na segunda-feira, 8 de junho de 2026, afirmar que o hospital não funcionava à noite e criticar o uso da denominação "hospital". No dia seguinte, terça-feira, 9 de junho de 2026, Alexandre Motta ampliou as críticas em vídeo divulgado nas redes sociais, associando o debate ao discurso político de Allyson Bezerra. Motta argumentou que o Hospital Municipal Francisca Conceição da Silva se configurava mais como uma policlínica, focada em procedimentos eletivos de baixa complexidade, e não um hospital apto a desafogar a rede regional de urgência e emergência. Ele destacou a ausência de atendimento noturno, funcionamento nos fins de semana e Unidade de Terapia Intensiva (UTI), além de apontar a insuficiência de leitos de internação como o principal problema de saúde pública em Mossoró. O Hospital Municipal Francisca Conceição da Silva, inaugurado em 15 de janeiro de 2026, tem como objetivo reduzir filas de cirurgias eletivas e ampliar o acesso a consultas especializadas. Até a semana atual da notícia, a unidade registrou 647 pequenas cirurgias, cerca de 500 cirurgias gerais e ginecológicas, e aproximadamente 9 mil atendimentos entre consultas, exames e procedimentos cirúrgicos. Entre as especialidades oferecidas estão cardiologia, endocrinologia, geriatria, pediatria, psiquiatria, ortopedia, urologia, ginecologia, mastologia, dermatologia, gastroenterologia, angiologia vascular, otorrinolaringologia e proctologia. A Secretária Municipal de Saúde, Morgana Dantas, rebateu as críticas, acusando Alexandre Motta de politizar o tema e tentar desqualificar um patrimônio do município. Ela defendeu o desempenho da unidade, citando o volume de procedimentos realizados e comparando-a com outras unidades estaduais, como o Hospital da Mulher, que teria permanecido cerca de três anos sem realizar partos após sua inauguração em 2022. Morgana Dantas também questionou o critério de desqualificação de hospitais sem UTI, lembrando que o Hospital da Polícia Militar também opera sem essa estrutura. A secretária alertou que a divulgação de críticas infundadas poderia gerar insegurança e risco à vida de pacientes que aguardam cirurgias. Em réplica, nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, Alexandre Motta defendeu as ações do governo estadual na área da saúde, mencionando o aumento de leitos de internação e UTI em Mossoró e no Estado, além da expansão das cirurgias eletivas. Ele atribuiu a responsabilidade pela regulação de leitos em Mossoró ao município e rebateu comparações com unidades estaduais, afirmando que o Hospital da Polícia Militar realiza procedimentos de média e alta complexidade e o Hospital da Mulher já superou 1.300 partos. Motta reiterou que a falta de leitos de internação continua sendo o principal gargalo da saúde em Mossoró e que, embora a policlínica seja importante, não resolve essa questão central, defendendo que o Estado já cumpre sua parte com 406 leitos em Mossoró.
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