GOVERNO ACUSA SENADOR
Secretaria de Comunicação critica Flávio Bolsonaro por 'traição à pátria' em audiência nos EUA
Presidência da República reage à participação de Flávio Bolsonaro em audiência nos Estados Unidos sobre tarifas contra produtos brasileiros, classificando a ação como 'traição à Pátria' e divergindo de críticas ao STF e ao governo Lula.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgou uma nota nesta terça-feira, 07/07/2026, acusando o pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL) de traição à pátria. A manifestação ocorreu após a participação do senador em uma audiência nos Estados Unidos, onde ele criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e o governo do presidente Lula, além de discutir a aplicação de tarifas contra produtos brasileiros. Flávio Bolsonaro esteve acompanhado do deputado Eduardo Bolsonaro e discursou em inglês. Ele afirmou que o momento era "o pior possível" para a imposição de novas tarifas ao Brasil, sugerindo que elas beneficiariam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um ano eleitoral. A Presidência da República rebateu, afirmando que "o governo brasileiro negocia ininterruptamente com os Estados Unidos desde julho de 2025 para reverter as tarifas aplicadas injustificadamente contra o Brasil". Enquanto o senador "tentava politizar" as relações bilaterais, segundo a nota oficial, equipes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Itamaraty, Ministério da Justiça e do Palácio do Planalto mantinham reuniões técnicas com representantes do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) para discutir o tema. A participação em audiências promovidas pelo USTR é aberta a interessados inscritos. O governo brasileiro sustentou que Flávio Bolsonaro não se posicionou contra as novas tarifas durante sua fala. "Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país", criticou a Secretaria. Em resposta formal enviada ao governo americano, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o Brasil argumentou que o USTR não comprovou que suas políticas sejam discriminatórias ou criem barreiras comerciais. O país também destacou que críticas ao PIX e decisões do STF são divergências sobre políticas internas, não questões comerciais. O governo trabalha com o prazo de 15 de julho, estabelecido pela USTR, para alcançar um acordo tarifário. A nota da Presidência também citou um levantamento indicando que 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para se manifestar sobre as tarifas propostas, sendo 63 contra e 15 a favor. Entre os 34 brasileiros inscritos, apenas Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas, optando por sugerir o adiamento com "claro objetivo eleitoreiro".
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