DIPLOMACIA EM XEQUE

Especialista aponta instabilidade de Donald Trump nas negociações com a Ucrânia

Presidente Donald Trump durante compromissos oficiais no Salão Oval.
O presidente Donald Trump em reuniões diplomáticas em Washington.

Juliano Cortinhas avalia que a aparente mudança de postura do líder americano é tática e questiona a confiabilidade do republicano em temas sensíveis.

A instabilidade nas decisões de Donald Trump coloca em xeque a credibilidade dos Estados Unidos em negociações globais fundamentais para a segurança da Ucrânia. A avaliação foi feita por Juliano Cortinhas, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), em análise concedida ao WW sobre os recentes encontros do presidente americano com Volodymyr Zelensky e Benjamin Netanyahu em Washington.

Para o especialista, o histórico errático do líder republicano impede que ele seja visto como um negociador confiável no cenário internacional. "Trump é um presidente instável, de um país muito poderoso, e isso gera problemas nas relações diplomáticas", afirmou Cortinhas, destacando que a retórica do mandatário costuma oscilar conforme pressões políticas domésticas.

Mudança de tom e pressões internas

O contraste entre o encontro atual, descrito como amistoso, e um episódio anterior no Salão Oval — no qual Zelensky foi alvo de críticas públicas de Trump — reflete, segundo a análise, uma tentativa de ganhar apoio interno. Embora tenha havido promessas de suporte militar, o professor adverte que a postura não deve ser interpretada como definitiva, já que o republicano busca novas cartadas para contornar críticas em sua gestão.

Impacto da Lei Graham e sanções

O cenário político em Washington foi marcado pela repercussão da Lei Graham, aprovada pelo Senado americano após o falecimento do senador Lindsey Graham. A legislação impõe sanções a nações que importam petróleo e gás da Rússia, mirando principalmente a China e a Índia. Contudo, o Brasil também figura no radar do impacto econômico devido à compra de diesel russo e fertilizantes.

A dependência de líderes como Netanyahu e Zelensky em relação ao aval americano permanece alta, tanto por necessidades militares quanto por calendários eleitorais. A eficácia dessa articulação, contudo, segue atrelada à volatilidade política da Casa Branca.

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