FALTA DE MÃO DE OBRA

Seara lança programa para formar jovens líderes rurais e combater escassez de mão de obra no agro

Larri e Maicon Toffoli representam duas gerações de produtores rurais que trabalham juntas para fortalecer a atividade suinícola
Larri e Maicon Toffoli representam duas gerações de produtores rurais que trabalham juntas para fortalecer a atividade suinícola • Divulgação

Iniciativa Jovem SuperAgro, em parceria com o Sebrae, capacita produtores de 18 a 30 anos para gestão familiar. Expectativa é preparar nova geração para os desafios do agronegócio e garantir a sucessão nas propriedades.

A escassez de mão de obra qualificada e as dificuldades na sucessão familiar representam dois dos maiores desafios para o agronegócio brasileiro. Em um setor cada vez mais tecnológico e dependente de gestão profissional, manter os jovens no campo tornou-se uma questão estratégica para a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva de alimentos. Esta matéria, focada em 16/06/2026, detalha como uma decisão da Seara busca reverter essa tendência, impactando diretamente a dignidade e o futuro de famílias produtoras.

Dados recentes do Censo Agropecuário do IBGE indicam que o Brasil possui cerca de 5 milhões de estabelecimentos agropecuários, com mais de 15,1 milhões de pessoas ocupadas no setor. Deste total, 77% das propriedades são classificadas como agricultura familiar. Contudo, entre 2010 e 2022, o país observou um êxodo rural, com a perda de aproximadamente 4,3 milhões de moradores em áreas rurais, o que evidencia a dificuldade de renovação geracional.

Em Santa Catarina, estado com forte produção de aves e suínos, o cenário é ainda mais crítico. Um levantamento do Sebrae-SC, baseado em dados da Secretaria da Fazenda estadual, aponta que, dos mais de 321 mil produtores rurais ativos, apenas um em cada dez possui indícios de continuidade familiar na atividade.

A preocupação com a falta de mão de obra e a crescente complexidade da gestão rural é compartilhada pela indústria. José Antônio Ribas Junior, diretor-executivo de Agropecuária da Seara, destaca a necessidade de uma nova abordagem para garantir a continuidade da produção e preparar os empreendedores rurais para um ambiente mais tecnológico e exigente.

"O agro é uma fortaleza para o nosso negócio. Mas hoje temos menos mão de obra disponível, uma dificuldade maior de retenção de pessoas no campo e um ambiente muito mais complexo de gestão. Precisamos preparar esse empreendedor rural para lidar com mais tecnologia, mais indicadores e mais exigências do mercado", afirma Ribas. Ele ressalta que o objetivo vai além da sucessão patrimonial, visando formar gestores capazes de administrar propriedades que funcionam cada vez mais como empresas.

Diante deste contexto, a JBS, através da Seara, lançou o programa Jovem SuperAgro. Esta iniciativa, com decisão tomada para mitigar os efeitos da escassez de mão de obra qualificada, foca na capacitação de produtores rurais entre 18 e 30 anos para assumir a gestão das propriedades familiares integradas à companhia. O programa, que tem duração de 18 meses, conta com aulas, mentorias e projetos aplicados, abordando temas cruciais como gestão financeira, liderança e sucessão familiar.

O interesse dos jovens superou as expectativas, com quase 150 candidatos disputando as 60 vagas iniciais. "Nós imaginávamos que seria um desafio preencher as vagas, mas aconteceu exatamente o contrário. Tivemos muito mais interessados do que esperávamos. Isso mostrou que existe uma demanda reprimida por qualificação e preparação para a sucessão familiar", pontua Ribas.

Um diferencial do programa é a participação conjunta de pais e filhos em módulos dedicados à sucessão familiar, buscando estruturar essa transição e lidar com as questões culturais envolvidas. "Muitas vezes a sucessão acontece de forma pouco estruturada. Existe uma questão cultural importante, porque quem construiu o patrimônio nem sempre consegue fazer essa transição com facilidade. Por isso, trabalhamos tanto a preparação dos jovens quanto das famílias", explica o executivo.

Para a nova geração, a tecnologia emerge como um fator crucial de atração e permanência no meio rural. Maicon Toffoli, 28 anos, produtor de suínos em Seara (SC) e participante do Jovem SuperAgro, vê na inovação uma oportunidade de tornar a propriedade mais eficiente. "Hoje a tecnologia é muito avançada. Sempre existe algo novo para aprender e isso facilita muito o trabalho. Comparando com a época do meu pai, é completamente diferente."

Ao lado do pai, Larri Toffoli, Maicon participa da gestão de uma propriedade com capacidade para mais de 2 mil suínos. "Todo conhecimento que chega para agregar faz diferença. Hoje a atividade exige atenção a diversas frentes e a tecnologia é uma delas. Minha expectativa é adquirir conhecimentos que possam ser aplicados no dia a dia da propriedade e contribuir para o crescimento do negócio da família", destaca Maicon.

Larri Toffoli relembra os tempos mais difíceis de sua juventude no campo: "Na nossa época foi bem mais difícil. Não tínhamos oportunidade de estudo e acesso às informações como os jovens têm hoje. Para continuar no campo, precisamos aprender cada vez mais. Esse programa veio em uma boa hora porque ajuda a preparar o sucessor e garante mais segurança para o futuro da propriedade."

Larri e Maicon Toffoli representam duas gerações de produtores rurais que trabalham juntas para fortalecer a atividade suinícola
Larri e Maicon Toffoli representam duas gerações de produtores rurais que trabalham juntas para fortalecer a atividade suinícola • Divulgação

A sucessão familiar também impulsiona o protagonismo feminino no agro. Thalia Alberici, 24 anos, produtora em Entre Rios (SC), integra a primeira turma do Jovem SuperAgro e atua na gestão de uma Unidade Produtora de Leitões (UPD) com 1.800 matrizes. Ela é responsável pelas áreas administrativa, financeira e de recursos humanos da propriedade.

"A capacitação não substitui a experiência da família, mas prepara o jovem para um sistema completamente diferente do que existia antigamente. Hoje o agro exige gestão, tecnologia, liderança e atualização constante", afirma Thalia, que antes de retornar à granja atuou como técnica de enfermagem, experiência que a ajuda na gestão de pessoas.

Thalia já identificou aprendizados fundamentais para o futuro do negócio. "As aulas mostraram que a sucessão não envolve apenas a produção. É preciso organizar patrimônio, documentos, planejamento e gestão. Muitas vezes estamos tão focados no dia a dia que deixamos de lado questões fundamentais para o futuro do negócio."

A produtora Thalia Alberici, ao lado da família, representa a nova geração do agronegócio catarinense
A produtora Thalia Alberici, ao lado da família, representa a nova geração do agronegócio catarinense • Divulgação • Divulgação

O Jovem SuperAgro faz parte da Plataforma SuperAgro, programa de relacionamento da Seara com seus produtores integrados. Nos últimos dez anos, a companhia investiu mais de R$ 4 bilhões em iniciativas de capacitação, assistência técnica e desenvolvimento tecnológico. "Quando capacitamos esses jovens, eles tomam decisões mais rápidas e mais assertivas. Isso melhora a performance das propriedades, aumenta a eficiência e fortalece toda a cadeia. É um projeto de ganha-ganha para o produtor e para a empresa", conclui Ribas.

O investimento na nova geração é visto como fundamental para garantir a continuidade do legado das famílias produtoras, fortalecer o desenvolvimento regional e assegurar o futuro do agronegócio brasileiro.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário