VACINAÇÃO CONTRA DENGUE SUSPENSA
Saúde alerta vacinados há até 21 dias após 42 casos de reações severas à vacina da dengue do Butantan
Ministério da Saúde monitora efeitos adversos em pessoas que receberam o imunizante do Instituto Butantan nos 21 dias anteriores, após registro de 42 ocorrências graves e duas mortes em investigação.
Atenção especial para vacinados nos primeiros 21 dias após imunização
As autoridades sanitárias concentram esforços no monitoramento de pessoas que receberam a vacina contra a dengue do Instituto Butantan nos últimos 21 dias. O diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, Eder Gatti, explicou que este período é crucial para identificar quaisquer reações adversas. Ele ressaltou que, após 21 dias da aplicação, não há mais motivos para vincular problemas de saúde ao imunizante, período em que o indivíduo já passa a usufruir dos benefícios da proteção.
A vigilância ativa do Ministério da Saúde se estenderá por 30 dias para acompanhar notificações e analisar casos registrados, mas os primeiros 21 dias permanecem como referência principal para a detecção de eventos adversos. “De qualquer forma, vamos orientar que a vigilância permaneça atenta por um período de 30 dias para monitoramento, tendo como referência esses 21 dias como o intervalo em que eventuais casos possam surgir”, afirmou Eder Gatti. Pessoas vacinadas há mais de 21 dias não devem se preocupar, segundo o diretor, pois não há indicação de risco associado à vacinação após esse período.
Suspensão preventiva e investigação de casos graves
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira, 08/06/2026, a suspensão temporária e preventiva da vacinação contra a dengue com o imunizante do Instituto Butantan. A decisão ocorreu após o registro de 42 casos de reações adversas severas, incluindo três casos mais graves e duas mortes que estão sob investigação. Segundo o ministro Alexandre Padilha, os 42 casos severos representam aproximadamente oito ocorrências a cada 100 mil doses aplicadas.
A suspensão cautelar abrangerá profissionais da Atenção Primária à Saúde e as áreas onde campanhas específicas estavam em andamento, como Nova Lima (MG), Maranguape (CE), Botucatu (SP) e Araguaína (TO). Essa medida busca aprofundar a avaliação dos eventos adversos antes da retomada da campanha, sem que isso signifique uma dúvida sobre a eficácia geral do imunizante.
Casos graves e desfechos fatais sob análise
Os casos graves registrados incluem:
- Uma mulher de 39 anos que apresentou sintomas de dengue grave com necessidade de internação em UTI seis dias após receber a vacina.
- Uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas neurológicos associados à dengue grave e faleceu 19 dias após a vacinação.
- Um homem de 58 anos que apresentou quadro de dengue grave com choque refratário e também faleceu, cinco dias após receber o imunizante.
Os três episódios são considerados sinais de alerta importantes, mas o Ministério da Saúde enfatiza que ainda não é possível concluir uma relação causal direta entre a vacina e os desfechos observados, incluindo as duas mortes que continuam sob investigação detalhada por especialistas.
Próximos passos: monitoramento ampliado e revisão de dados
A partir de terça-feira, 09/06/2026, a estratégia de vacinação será interrompida temporariamente para uma revisão aprofundada dos dados de segurança. O Ministério da Saúde intensificará o monitoramento de casos na rede hospitalar, com atenção especial às pessoas vacinadas nos últimos 21 dias. Recomenda-se que qualquer sintoma ou reação adversa seja prontamente comunicada aos serviços de saúde para investigação.
Os sintomas que devem ser observados atentamente incluem:
- Febre
- Dor abdominal intensa e contínua
- Vômitos persistentes
- Tontura
- Sangramentos
- Sonolência intensa
- Irritabilidade
- Sinais de desidratação
- Piora do estado geral
As evidências disponíveis, segundo o ministro Alexandre Padilha, continuam a demonstrar que a vacina oferece proteção contra os quatro sorotipos da dengue.
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