DISPUTA ACESA
Samanda Alves ganha espaço no Senado com apoio de Lula e Fátima
Após decisão da governadora de permanecer no cargo, PT articula chapa para 2026 com foco na representatividade.
A governadora Fátima Bezerra (PT) optou por permanecer no comando do Rio Grande do Norte, em vez de disputar uma vaga no Senado Federal em 2026. A decisão, tomada após diálogos cruciais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), redefiniu o cenário eleitoral potiguar, abrindo espaço para Samanda Alves (PT), vereadora de Natal e presidente estadual do partido, firmar-se como pré-candidata ao Senado. Este movimento estratégico surgiu como resposta ao rompimento político com o vice-governador Walter Alves (MDB), que inviabilizou a renúncia de Fátima, e busca assegurar a continuidade do projeto progressista e a representatividade do “lulismo” no Congresso Nacional.
Em entrevista concedida nesta sábado, 16 de maio de 2026, à Rádio Difusora de Mossoró, Samanda Alves destacou que sua candidatura representa, no Rio Grande do Norte, a força do projeto político liderado por Lula e Fátima Bezerra. Ela expressou a intenção de ocupar o espaço que seria da governadora na disputa pelo Senado e ser a voz do lulismo na corrida eleitoral de 2026.
Samanda se tornou pré-candidata após a deliberação de Fátima de manter-se no Governo do Estado. A governadora era o nome natural do PT para a vaga, mas a ruptura com o vice-governador Walter Alves (MDB), que se recusou a assumir o governo em caso de renúncia da titular, forçou o PT a reconfigurar sua chapa majoritária. Nesse novo arranjo, Cadu Xavier assumiu a pré-candidatura ao Governo, e Samanda foi confirmada como nome para o Senado.
A pré-candidata afirmou que Fátima consolidou sua decisão de permanecer no governo após conversar com Lula, recebendo do presidente a garantia de apoio irrestrito ao projeto petista no Estado. Segundo Samanda, Lula compreende a relevância da continuidade administrativa e da eleição de nomes alinhados ao campo progressista para o Congresso Nacional. “Fátima esteve com Cadu e Lula antes de tomar a decisão, inclusive se renunciaria ou não, e o presidente disse: Fátima, conte comigo, que eu estarei junto com você”, narrou Samanda, evidenciando a solidez da aliança.
Samanda Alves procura vincular sua candidatura a três pilares: Lula, Fátima e Mossoró. A conexão com a governadora foi realçada diversas vezes. Samanda relembrou que colaborou por mais de 20 anos ao lado de Fátima, desde seus mandatos como deputada federal e senadora até a atuação no Governo do Estado. Ela se refere a Fátima como sua “professora na política”, afirmando ter aprendido com ela um estilo de atuação fundamentado no diálogo, na escuta ativa e na resolução de problemas da população.
Além da identificação com Fátima, Samanda busca valorizar sua origem mossoroense como um diferencial eleitoral. Ela relatou ter estudado em Mossoró antes de se mudar para Natal, onde cursou Engenharia de Computação. A pré-candidata declarou que pretende transformar essa raiz em uma bandeira de representação regional. Em sua visão, Mossoró e a região Oeste pagaram um alto preço pela falta de uma presença mais incisiva no Congresso Nacional. Samanda prometeu que, se eleita, estabelecerá um escritório físico em Mossoró para atender a cidade, o Oeste, o Médio Oeste e o Alto Oeste. “Eu tenho muita esperança, e vou lutar muito, para que Mossoró volte a ter representatividade, não só na Câmara dos Deputados, mas no Senado Federal.”
Samanda também defendeu o governo Fátima Bezerra das críticas da oposição, em particular as de Walter Alves. Ela mencionou que, como presidente estadual do PT, procurou o vice-governador para dialogar, mas afirmou que a decisão dele de não assumir o governo já estava tomada. A petista classificou o rompimento como uma “surpresa muito desagradável” e questionou a narrativa de que o Estado estaria falido.
“Quem disse que o Rio Grande do Norte estava quebrado? Pagando folha em dia, com o maior programa de recuperação de estradas, aumentando leitos de UTI”, argumentou. Para ela, esse discurso foi uma justificativa política para inviabilizar a candidatura de Fátima ao Senado.
Na montagem da chapa governista, Samanda confirmou que o PT mantém diálogos com partidos aliados para definir a composição completa. Ela citou conversas com PV, PCdoB, PSB, PDT, Psol e PSDB. A segunda vaga ao Senado e a escolha do vice de Cadu Xavier ainda estão em fase de discussão.
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