CRÉDITO PARA FAMÍLIAS E EMPRESAS
Saldo de crédito atinge R$ 7,2 trilhões em abril com alta de 0,3%, aponta Banco Central
A carteira total do Sistema Financeiro Nacional registrou avanço mensal e anual. Inadimplência também apresentou ligeiro aumento.
O saldo das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu R$ 7,2 trilhões em abril, registrando um avanço de 0,3% em relação ao mês anterior. A divulgação desses dados ocorreu nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, pelo Banco Central. Esta expansão reflete um cenário de dinamismo no mercado de crédito, impactando tanto famílias quanto empresas. Em um comparativo anual, a alta acumulada foi de 9,3%, evidenciando um crescimento sustentado ao longo dos últimos doze meses. A decisão do Banco Central em divulgar essas estatísticas busca trazer transparência ao mercado e permitir análises mais aprofundadas sobre a saúde econômica do país.
No mês de abril, as operações de crédito com empresas apresentaram uma redução de 0,1%, totalizando R$ 2,7 trilhões. Em contrapartida, as operações com famílias registraram um aumento expressivo de 0,6%, alcançando R$ 4,6 trilhões. Essa diferença pode indicar uma maior demanda por crédito por parte dos consumidores, possivelmente impulsionada por fatores como taxas de juros mais acessíveis em certas modalidades ou políticas de incentivo ao consumo.

O Banco Central organiza as operações de crédito em duas categorias principais: recursos direcionados e recursos livres. Os recursos direcionados são aqueles concedidos sob taxas e condições mais favoráveis, muitas vezes subsidiados por governos ou estatais, visando fomentar setores específicos da economia. Já os recursos livres são negociados livremente no mercado, com taxas definidas pela oferta e demanda.
No segmento de pessoas físicas, a carteira de crédito livre apresentou um crescimento de 0,3% em abril e uma alta robusta de 11,7% em doze meses. Paralelamente, a carteira de crédito direcionado para famílias expandiu 0,9% no mês e 9,8% no acumulado anual, demonstrando a vitalidade do crédito para o consumidor.
Para as pessoas jurídicas, o cenário foi distinto. A carteira de crédito livre registrou uma queda de 0,7% em abril, embora tenha crescido 0,6% em doze meses. Já o crédito direcionado para empresas mostrou força, com alta de 0,8% no mês e um impressionante aumento de 17,0% na comparação interanual, sinalizando um potencial aumento de investimentos ou necessidade de capital de giro em setores específicos.
A taxa média de juros nas concessões de crédito atingiu 33,8% ao ano em abril, com um acréscimo de 0,6 ponto percentual em relação ao mês anterior e 2,4 pontos percentuais em doze meses. O spread bancário, que representa a diferença entre o custo do dinheiro para o banco e a taxa cobrada do cliente, avançou 0,7 p.p. no mês e 2,6 p.p. em doze meses, chegando a 22,6 p.p. Esse cenário de juros elevados pode impactar diretamente o poder de compra e a capacidade de endividamento dos cidadãos e empresas.
Especificamente no crédito livre, a taxa média de juros alcançou 49,5% ao ano, com elevações de 1,2 p.p. no mês e 4,5 p.p. em doze meses. No crédito livre para empresas, a taxa média cresceu 0,5 p.p. no mês e 1,1 p.p. em doze meses, totalizando 25,3% ao ano. A variação observada, especialmente no cheque especial, que teve sua taxa média elevada em 14,9 p.p., contribui para o cenário geral de encarecimento do crédito.
A inadimplência total da carteira de crédito do SFN situou-se em 4,4%, com um aumento de 0,1 p.p. no mês e 0,9 p.p. em doze meses. Para empresas, a taxa de inadimplência foi de 2,8%, estável no mês, mas com alta de 0,3 p.p. em doze meses. Já no crédito a pessoas físicas, a inadimplência atingiu 5,4%, com elevações de 0,1 p.p. no mês e 1,3 p.p. em doze meses. Estes índices, embora em patamares ainda controlados, merecem atenção por refletirem o impacto das condições econômicas na capacidade de pagamento da população e do setor produtivo.
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