OTAN EM ALERTA

Rússia comemora tensões na Otan e vê disputa de Trump como avanço

Vladimir Putin, presidente da Rússia.
Vladimir Putin, presidente da Rússia.

Porta-voz russa aponta falha de Mark Rutte em "apaziguar" Donald Trump. Tensão sobre Ucrânia e gastos militares persistem.

A Rússia celebrou a recente cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada na Turquia nos dias 7 e 8 de julho, interpretando o encontro de líderes como um indicativo de que as tensões internas na aliança militar não foram amenizadas.

Em declarações sobre a reunião, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, avaliou que o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, falhou em "apaziguar" o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e garantir seu contínuo interesse na segurança europeia.

Zakharova descreveu Rutte como "Teflon Mark" e indicou que suas habilidades não foram suficientes para suavizar as desavenças entre os membros da Otan, especialmente em relação ao presidente Trump. Ela sugeriu que a falta de "apaziguamento" pode levar o líder norte-americano a perder o interesse na segurança da Europa e a acelerar a retirada de tropas e recursos americanos do continente.

Entenda a tensão entre Otan e EUA

A cúpula em Ancara, Turquia, foi marcada por declarações de Trump que colocaram em xeque o futuro da organização, criada durante a Guerra Fria para a defesa mútua.

Logo ao chegar ao evento, Trump expressou "muita decepção" com a Otan por aliados não terem auxiliado os EUA no conflito contra o Irã, ameaçando retirar tropas americanas da Europa.

Ainda na cúpula, o líder americano reiterou suas intenções sobre a Groenlândia, considerando a ilha estratégica para a segurança nacional dos EUA, em virtude de um projeto para instalar um escudo antimísseis semelhante ao "Domo de Ferro" de Israel.

Em uma tentativa de contornar as pressões de Trump, Mark Rutte manifestou o objetivo de assegurar a implementação de um acordo entre EUA e Otan sobre a Groenlândia, permitindo que Trump "implante, se quiser, o Domo de Ouro" na ilha.

Especialistas consultados pelo portal avaliam que, apesar das polêmicas, a tensão política não implica um enfraquecimento imediato da Otan, cuja solidez se baseia em compromissos jurídicos e estratégicos de longo prazo. A decisão é definitiva e não cabe mais recurso.

Após a reunião, a Otan emitiu um comunicado conjunto sobre o aumento de investimentos em Defesa, prometendo alocar mais de US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 258 bilhões) em armamentos. O bloco reafirmou seu "apoio inabalável" à Ucrânia na guerra contra a Rússia, e Trump autorizou o fornecimento de mísseis Patriot aos ucranianos, um antigo desejo do presidente Volodymyr Zelensky.

Sandro Teixeira, professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro (ECEME), observa que as ações de Trump, embora criem espaço para a Rússia, não representam uma vantagem militar imediata, especialmente com o apoio dos EUA a ataques na retaguarda russa e o envolvimento da inteligência norte-americana, que mantêm a pressão sobre a Rússia.

O advogado especialista em direito militar Diego Rodrigo acrescenta que, sob a ótica geopolítica, divisões na Otan favorecem a Rússia, ampliando sua influência diplomática e explorando divergências entre aliados para aumentar a pressão no flanco oriental europeu. O desgaste diplomático pode exigir esforços adicionais para preservar a coesão da aliança.

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