TENSÃO POLÍTICA

Romeu Zema critica STF e defende Judiciário 'sem rabo preso'

Ministro Gilmar Mendes durante sessão, com texto sobre arquivamento de investigação por homofobia em críticas a Romeu Zema
PGR arquiva pedido de investigação contra Gilmar Mendes por homofobia em críticas a Zema

Pré-candidato à Presidência, Romeu Zema intensifica atrito com o ministro Gilmar Mendes e questiona a independência do Supremo Tribunal Federal (STF) durante visita à Agrishow.

Romeu Zema, pré-candidato à Presidência pelo Novo, intensificou suas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, ao questionar a independência dos ministros e defender um Judiciário "sem rabo preso". A declaração, feita durante visita à Agrishow em Ribeirão Preto (SP), reacendeu a troca de farpas com o ministro Gilmar Mendes, impactando o debate público sobre a credibilidade das instituições e a harmonia entre os Poderes. Zema argumenta que o distanciamento da sociedade compromete a dignidade do Judiciário e a confiança popular.

"Eu acho que nós precisamos é de ter também um Supremo sem o rabo preso. Hoje, eles estão lá tentando fazer o quê? Evitar investigações", afirmou o pré-candidato à Presidência da República, durante o evento de tecnologia agrícola em Ribeirão Preto (SP). Zema abordou o tema ao ser indagado sobre como vislumbra a harmonia entre os três poderes caso ele, um crítico da atual estrutura do STF, assumisse o Executivo. Ele enfatizou que suas críticas não se direcionam a nenhum ministro especificamente, mas sim à instituição.

"O excesso de ar-condicionado, de bajuladores, tem feito mal a alguns brasileiros que na minha opinião estão até se isolando da sociedade. E está claríssimo, até porque o Supremo hoje é o ente, um instituto público que tem menos credibilidade no Brasil. Precisamos mudar essa visão desses intocáveis que fica muito claro esse distanciamento deles, esse discriminação [sic]."

O embate entre Zema e Mendes ganhou destaque após o pré-candidato ironizar o ministro com um fantoche em um dos vídeos da série "Intocáveis". Em resposta, Mendes solicitou a inclusão de Zema no inquérito das "fake news" ao relator Alexandre de Moraes. Ao comentar o pedido, o ministro utilizou um exemplo polêmico sobre algo que Zema, em sua avaliação, não aceitaria ser relacionado.

"Imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo?", questionou o ministro durante entrevista. Mais tarde, nas redes sociais, Gilmar Mendes se desculpou pela fala. Zema, por sua vez, reagiu ao ocorrido. "Em 2018 eu estava com um por cento das intenções de voto, eu não tenho intenção de atacar ninguém, eu tenho intenção é de mostrar propostas para o Brasil, nós precisamos de uma reforma profunda no judiciário. E se eles se sentiram ofendidos é porque não estão querendo, querem que o Supremo continue sendo o Supremo Tribunal de Negócios como ele tem se transformado."

O ex-governador de Minas Gerais também reagiu, no interior de São Paulo, às falas de Gilmar Mendes que ironizaram seu sotaque mineiro em reação aos vídeos que criticam o trabalho do Supremo. "Eu falo português, o mineirês, que inclusive sou do Triângulo Mineiro, muito próximo aqui a Ribeirão Preto, e tenho até orgulho do meu sotaque, que tem uma semelhança muito grande aqui com essa região de São Paulo. Acho que o ministro é que está utilizando um português muito esnobe", pontuou Zema.

Desde que se apresentou como possível nome para disputar o Executivo, Zema tem direcionado críticas a decisões e gastos do Supremo Tribunal Federal, sugerido mudanças no Judiciário e publicado vídeos em sua série "Intocáveis", onde ironiza ministros. Em uma de suas últimas publicações, após ser incluído no inquérito das "fake news" pelo decano, Zema mostra uma representação fictícia do ministro solicitando a Alexandre de Moraes sua inclusão na investigação.

Em entrevista a uma emissora de TV, Gilmar Mendes ironizou o sotaque do ex-governador mineiro, afirmando que ele utilizava um dialeto próximo do português e que não compreendia o que ele dizia. "Até por estar isolado da sociedade brasileira, ele deveria comparecer a um evento igual esse aqui, que aí ele iria perceber que eu converso a mesma língua do produtor rural. Eu que sempre percorri o interior de Minas, converso um linguajar que é de quem trabalha o dia todo, quem tá no sol quente", replicou Zema.

A Agrishow, considerada a maior feira de tecnologia agrícola do país, transformou-se em um palco político crucial, atraindo figuras como Zema. Pela representatividade no agro, o evento é parada quase obrigatória para aqueles que buscam maior proximidade com o setor na corrida eleitoral de 2026.

Antes de Zema, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), também marcou presença. Diante das críticas do segmento sobre altas taxas de juros e endividamento, Alckmin anunciou uma linha de crédito de R$ 10 bilhões para a compra de equipamentos agrícolas. Na segunda-feira, 27 de abril de 2026, foi a vez de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Flávio Bolsonaro (PL) visitarem a feira, em um primeiro ato pré-eleitoral conjunto, onde criticaram o governo federal, especialmente as políticas voltadas para o setor agropecuário. Outros pré-candidatos também são esperados até o fim da semana.

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