SUPERAÇÃO PÚBLICA
Rodolfo Abrantes revisita vícios e fé em nova série documental 'Mulher de Fases'
Ex-Raimundos, Rodolfo Abrantes revela passado de excessos e transformação espiritual em produção lançada no YouTube nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026.
Rodolfo Abrantes, nome icônico do rock nacional e ex-membro dos Raimundos, revisita publicamente sua intensa trajetória de vida na série documental 'Mulher de Fases'. A produção, lançada no canal do cantor no YouTube nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, mergulha nos bastidores de uma carreira marcada por sucesso, excessos e uma profunda transformação espiritual, oferecendo uma janela íntima para os desafios e as redenções que moldaram o artista.
Conhecido por sua fase nos Raimundos e, posteriormente, como figura consolidada no meio evangélico, Rodolfo Abrantes idealizou 'Mulher de Fases' para expor os bastidores de sua carreira, o envolvimento com drogas, sexo, a avassaladora fama e o complexo processo de virada espiritual que redefine sua existência. Em entrevista recente, o músico enfatizou que não pretende retornar ao estilo de vida que mantinha durante os anos de maior sucesso da banda: “Não vou voltar de jeito nenhum a ser quem eu era”, declarou.
Dirigida por Felipe Ferni, a série é uma homenagem a um dos maiores sucessos dos Raimundos, lançado na década de 1990, período em que o grupo se estabeleceu como um dos principais nomes do rock brasileiro.
Ao longo dos episódios, Rodolfo Abrantes revisita momentos marcados por excesso de álcool, drogas, relacionamentos superficiais e crises emocionais. Segundo ele, a produção busca desvelar como o sucesso e a fama conviviam com um profundo sentimento de vazio. Questionado se sentia vergonha ao ouvir as antigas letras, o cantor respondeu com serenidade, afirmando que não renega o passado, mas reconhece o caminho de autodestruição que trilhava. “Passei por todas as fases e já tive rejeição total. Hoje em dia, respeito a minha história. Aquilo era um retrato do que eu vivia”, pontuou.
Rodolfo Abrantes relembrou que o ambiente em torno da banda era intensamente marcado por estímulos ligados a sexo, álcool e drogas, fazendo com que um comportamento que hoje considera destrutivo parecesse natural. “Naquela época, o que eu vivia parecia liberdade. Hoje eu vejo que era escravidão”, expressou, com a clareza de quem superou grandes desafios.
O músico afirmou que o sucesso comercial, por si só, não conseguiu preencher questões emocionais profundas. Ele atribui sua verdadeira libertação à fé cristã. “Eu nasci de novo quando Jesus me libertou da pornografia”, disse, revelando que encontrou na fé um sentido que antes não existia, mesmo no auge da fama. “É um sonho ter uma banda e receber uma mensagem de libertação”, afirmou ao comentar o apoio de fãs que passaram a acompanhar sua carreira gospel, enfatizando que seu novo momento artístico é construído sob uma lógica emocional e pessoal renovada. “Eu não preciso provar nada para ninguém”, declarou.
A série ‘Mulher de Fases’ também mergulha nos bastidores da explosão dos Raimundos nos anos 1990. Misturando entrevistas, imagens de arquivo e depoimentos, a produção mostra a ascensão meteórica da banda em meio ao crescimento do rock nacional. Rodolfo Abrantes relembra que o grupo vivia uma rotina intensa de shows, festas e excessos enquanto alcançava enorme popularidade. O cantor afirma que, naquele período, acreditava estar vivendo liberdade plena, mas hoje interpreta aquele momento de forma completamente diferente.
“Quando você faz muito sexo e usa drogas, parece que está preenchendo algo. Mas depois sobra um vazio muito grande”, confessou, abordando também o impacto psicológico da fama e da constante exposição pública. Segundo Rodolfo Abrantes, a necessidade de manter uma determinada imagem diante do público alimentava comportamentos destrutivos e dificultava qualquer reflexão mais profunda sobre a própria vida.
Ao comentar o cenário musical atual, Rodolfo Abrantes também criticou o que considera um ambiente excessivamente orientado por mercado, aparência e performance. O músico afirmou que parte da indústria do entretenimento estimula a superficialidade e o consumo rápido de conteúdo. “Hoje muita gente vive para parecer feliz”, observou.
Mesmo inserido atualmente no universo gospel, Rodolfo Abrantes afirmou que continua atento aos riscos ligados à idolatria e à vaidade dentro do meio religioso e artístico. Segundo ele, o processo de transformação espiritual não eliminou conflitos internos, mas mudou sua forma de lidar com eles. “Eu continuo sendo humano. A diferença é que hoje sei quem eu sou”, afirmou. Após deixar os Raimundos no início dos anos 2000, Rodolfo Abrantes construiu uma carreira voltada à música cristã e ao público evangélico, lançando álbuns e participando de eventos religiosos, sempre compartilhando reflexões sobre fé, dependência emocional e espiritualidade.
Apesar da mudança radical de trajetória, ele afirma que não tenta apagar o passado. “A minha liberdade não é esquecer quem eu fui. É entender o que aconteceu comigo”, declarou. Segundo o cantor, revisitar os anos mais difíceis de sua vida na série documental foi um exercício emocional delicado, mas necessário. “Eu precisei olhar para trás sem romantizar aquilo”, afirmou.
Rodolfo Abrantes reforçou diversas vezes que a fama, os excessos e a busca desenfreada por prazer não resolveram os conflitos que carregava internamente. “Aquilo que parecia liberdade estava me destruindo”, resumiu. Hoje, o músico afirma enxergar a arte como instrumento de transformação e acolhimento, diferente do período em que utilizava a música apenas como válvula de escape emocional. “Minha música hoje fala sobre liberdade de verdade”, concluiu.
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