TECNOLOGIA EM SAÚDE
Robô do SUS realiza telecirurgia histórica e abre caminho para expansão
Decisão inédita permite cirurgia oncológica a quase 2.700 km de distância, beneficiando pacientes e inspirando o futuro da medicina pública no Brasil.
Uma decisão pioneira marcou um novo capítulo na história do SUS (Sistema Único de Saúde) na quinta-feira, 09/07/2026. Um robô foi utilizado para realizar a primeira telecirurgia oncológica de longa distância, conectando hospitais a quase 2.700 km de distância. A iniciativa, que permitiu a um paciente em Porto Velho, Rondônia, receber um procedimento de alta complexidade comandado de Barretos, no interior de São Paulo, representa um avanço significativo no acesso a tecnologias médicas de ponta, especialmente para quem vive longe dos grandes centros. O objetivo foi garantir que a inovação chegasse a mais brasileiros, promovendo dignidade e ampliando as fronteiras da assistência médica pública.
O procedimento, que ocorreu em 30 de junho, uniu em tempo real as unidades do Hospital do Amor na Amazônia, em Porto Velho, e a unidade de Barretos. A tecnologia, com a plataforma de cirurgia robótica Toumai distribuída pela Hospcom no Brasil, inaugurou uma nova perspectiva para a assistência cirúrgica nacional, permitindo que pacientes tenham acesso a tratamentos inovadores sem a necessidade de deslocamentos demorados e onerosos.
Segundo Eder Mattos, Gerente Nacional de Educação em Cirurgia Robótica da Hospcom, os desafios da telecirurgia transcendem a técnica. "Os principais desafios da telecirurgia não estão relacionados à técnica cirúrgica, mas sim à robustez da infraestrutura tecnológica de ambos os locais que fazem a conectividade com o robô", explicou. Ele ressaltou que a telecirurgia não substitui o profissional, mas sim "amplia sua capacidade de atuação", oferecendo novas ferramentas para diagnósticos e tratamentos mais precisos e menos invasivos.
A tecnologia Toumai foi desenvolvida para a nova geração da cirurgia robótica, focando em procedimentos minimamente invasivos de alta complexidade. Com visão tridimensional em alta definição, instrumentais articulados e design ergonômico que reduz a fadiga em longas intervenções, a plataforma promete cirurgias mais seguras, eficientes e humanizadas, impactando diretamente na recuperação e bem-estar dos pacientes.
Para garantir a confiabilidade da operação realizada no paciente com câncer de reto, os Ministérios das Comunicações e da Saúde, em parceria com o Hospital do Amor, estruturaram um protocolo rigoroso de conectividade. Foram empregadas duas conexões independentes de fibra óptica, rede 5G e uma VPN para assegurar estabilidade e continuidade. A latência inferior a 200 milissegundos, parâmetro internacional essencial para resposta instantânea entre o comando do cirurgião remoto e a movimentação do robô, foi mantida, garantindo a precisão do procedimento. A decisão é definitiva e não há previsão de recurso.
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