RIVAIS SE UNEM

Rivais de Netanyahu se unem para eleições em Israel: o que pode mudar

Rivais de Netanyahu se unem para eleições em Israel: o que pode mudar

Nova coalizão foca em questões domésticas cruciais, como o serviço militar obrigatório para ultraortodoxos, prometendo redefinir o cenário político e social de Israel, enquanto analistas ponderam sobre a manutenção da postura externa.

Em um movimento que pode redefinir o futuro político de Israel, Naftali Bennett e Yair Lapid, proeminentes rivais do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, anunciaram nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, a formação de uma nova aliança partidária. Batizada de 'BeYachad' (Juntos, em hebraico), a união visa derrubar o atual governo de coalizão, focando intensamente em questões domésticas cruciais, como o controverso serviço militar obrigatório para os ultraortodoxos. Esta decisão acende um debate vital sobre a equidade social e o compartilhamento do fardo cívico, moldando diretamente o dia a dia e o futuro da nação israelense.

Contudo, em temas sensíveis como Irã, Faixa de Gaza e Líbano, o novo partido — liderado pelo direitista Bennett, de 54 anos, e pelo centrista Lapid, de 62 — deve manter uma postura de segurança semelhante à de Netanyahu, cujo governo é o mais à direita da história de Israel. Isso sugere que a política externa israelense pode permanecer, em grande parte, inalterada, o que levanta questões sobre a real amplitude das mudanças que a aliança pretende trazer para a arena internacional.

Embora o 'BeYachad' ainda não tenha divulgado uma plataforma formal, suas posições sobre conflitos regionais podem ser inferidas a partir de declarações públicas recentes de seus líderes.

Irã

Bennett e Lapid apoiaram firmemente a decisão de Netanyahu de atacar o Irã em conjunto com os Estados Unidos, refletindo um amplo consenso em Israel sobre a necessidade de ações contra a ameaça iraniana. No início dos bombardeios aéreos israelenses no Irã, Lapid descreveu a ação à Reuters como uma “guerra justa contra o mal”, ecoando o sentimento de muitos israelenses que buscavam proteção.

Desde então, ambos criticaram Netanyahu, de 76 anos, por, segundo eles, falhar em atingir os objetivos principais de Israel na guerra, incluindo a derrubada do governo clerical iraniano. Apesar das críticas, nenhum dos líderes pediu a retomada dos combates desde que os ataques israelenses e americanos, e o lançamento de mísseis iranianos, foram interrompidos por um cessar-fogo em 8 de abril.

Uma fonte próxima ao novo partido descreveu Bennett e Lapid como “linha-dura” e “duros com o Irã”, mas também “pragmáticos, que entendem a necessidade de acordos diplomáticos e do trabalho que ocorre após o uso da força militar para alcançar objetivos estratégicos”. A fonte, que preferiu não ser identificada, ressaltou a complexidade de equilibrar força e diplomacia.

Líbano

Em relação ao Líbano, Bennett e Lapid também apoiaram as operações militares israelenses, mas questionaram um cessar-fogo de 17 de abril que não conseguiu conter os embates entre o exército israelense e militantes do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. A persistência da ameaça no norte de Israel é uma preocupação constante para os cidadãos da região.

Pouco antes da invasão do sul do Líbano pelo exército israelense, em março, Lapid enfatizou que Israel deve adotar todas as medidas necessárias para proteger seus cidadãos. Após o anúncio do cessar-fogo com o Hezbollah em abril, ele afirmou que a única solução duradoura é a remoção permanente da ameaça ao norte do país.

Bennett criticou veementemente o cessar-fogo, publicando no Facebook em 17 de abril: “Já é possível fazer a contagem regressiva para a próxima rodada. O Hezbollah começou nesta manhã a reconstruir o sul do Líbano e está se fortalecendo com mísseis para a próxima rodada.” Suas palavras revelam a desconfiança em relação à eficácia de acordos sem garantias concretas de segurança para os israelenses.

Faixa de Gaza

Sobre a guerra na Faixa de Gaza, onde Israel continuou realizando ataques letais apesar de um cessar-fogo em outubro passado, tanto Bennett quanto Lapid criticaram Netanyahu por não destruir completamente o grupo militante Hamas após o ataque de 7 de outubro de 2023 em Israel. A frustração com a persistência do Hamas reflete o desejo da população por segurança plena.

Em janeiro, Lapid afirmou que o governo Netanyahu havia alcançado o “pior resultado possível” em Gaza, destacando que o Hamas ainda possui dezenas de milhares de combatentes armados e manteve o controle de uma faixa de território na costa de Gaza sob o cessar-fogo.

Neste mês, em uma publicação no Facebook, Bennett declarou que as políticas de Netanyahu — incluindo permitir a entrada de alguma ajuda no enclave após restringir todos os suprimentos humanitários por três meses em 2025 — ajudaram o Hamas a recuperar o controle. “Isso acontece com a ajuda de centenas de caminhões de ajuda que o governo de Netanyahu leva até eles todos os dias”, escreveu Bennett, apontando para a complexidade da gestão humanitária em tempos de conflito.

Netanyahu, por sua vez, descreveu a devastadora ofensiva militar de Israel, que destruiu grande parte de Gaza e tirou a vida de mais de 72 mil palestinos, como um sucesso. Ele também levantou a possibilidade de retomar uma guerra em larga escala caso o Hamas não se desarme em um processo apoiado pelos Estados Unidos, algo que o grupo tem rejeitado até agora, mantendo a região em um estado de tensão e incerteza.

Estado Palestino

Com pesquisas de opinião mostrando que a maioria dos israelenses se opõe à criação de um Estado palestino independente na Cisjordânia ocupada, em Gaza e em Jerusalém Oriental, um governo Bennett-Lapid provavelmente não promoveria uma grande mudança de política em relação aos palestinos. A oposição reflete preocupações profundas com a segurança e a soberania do Estado de Israel.

Netanyahu se opõe à criação de um Estado palestino, e seu governo acelerou planos de expansão de assentamentos na Cisjordânia, o que, segundo ministros, faz parte de uma estratégia para inviabilizar a independência palestina.

Em 2022, Lapid — que, como muitos no centro e na esquerda israelense, não se opõe totalmente à soberania palestina — afirmou que uma solução de dois Estados para o conflito israelense-palestino seria o caminho correto. Contudo, em entrevista à emissora americana ABC em 2024, Bennett justificou sua oposição à solução de dois Estados, argumentando que isso poderia intensificar a violência contra israelenses.

“O que aprendemos nos últimos 30 anos é que, toda vez que demos aos palestinos um pedaço de terra, em vez de transformá-lo em uma bela Singapura, eles o transformaram em um Estado terrorista e começaram a matar israelenses”, afirmou Bennett, expressando um ceticismo que ressoa em parte da população.

Sobre a Cisjordânia, Netanyahu, Bennett e Lapid já se posicionaram de forma firme contra a violência de colonos contra palestinos. Esses ataques aumentaram sob Netanyahu, que é acusado por críticos de permitir que colonos ajam livremente para incendiar vilarejos palestinos e ferir moradores. O gabinete de Netanyahu nega essas acusações, mas a questão permanece um ponto de tensão e preocupação humanitária na região.

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