ALERTA SOBRE SAÚDE

Riscos da soroterapia: entidades médicas alertam para falta de eficácia

Equipamento médico para infusão intravenosa em ambiente hospitalar.
Infusão intravenosa é prática corriqueira em hospitais sob indicação médica restrita.

Especialistas condenam o uso estético e indiscriminado de vitaminas na veia após repercussão do caso Virgínia Fonseca em 11/07/2026.

O alerta das autoridades médicas

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) emitiu um comunicado oficial no dia 11/07/2026 para alertar a população sobre os riscos da soroterapia, procedimento que ganhou visibilidade após a influenciadora Virgínia Fonseca compartilhar sua experiência em redes sociais. A decisão da entidade visa conter a popularização indevida de tratamentos intravenosos vendidos sob promessas de bem-estar, longevidade e estética.

Quando a prática se torna perigosa

Especialistas reforçam que a infusão intravenosa, embora seja um recurso consolidado em ambientes hospitalares para casos de desnutrição ou desidratação severa, não possui respaldo científico quando utilizada por indivíduos saudáveis. A prática, frequentemente chamada de "coquetéis do bem-estar", ignora a capacidade do organismo de absorver nutrientes pela via oral, expondo o paciente a complicações como flebite, infecções, reações alérgicas e sobrecarga renal.

Relatos reais e o impacto na segurança

A percepção de eficácia, muitas vezes difundida por marketing e influenciadores, esconde efeitos colaterais imediatos. Soraia Dias, uma das pacientes que buscou o procedimento para melhorar seu desempenho, vivenciou tonturas e formigamentos que a levaram ao pronto-socorro. O caso ilustra que a ausência de uma necessidade médica real transforma a busca por vitalidade em um risco desnecessário para a integridade física.

Posicionamento ético e científico

A Sociedade Brasileira de Dermatologia e o próprio Cremego mantêm um posicionamento crítico sobre o tema. A Resolução CFM número 2004/2012 é frequentemente citada para condenar a oferta dessas terapias fora de critérios técnicos rigorosos. Especialistas como Lizanka Marinheiro, do IFF/Fiocruz, e Sandra Fernandes, da Kora Saúde, enfatizam que a melhora subjetiva relatada por usuários pode estar associada ao efeito placebo, e não a uma ação fisiológica comprovada das substâncias infundidas.

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