RIQUEZA X ATRASO

Rio Grande do Norte vive enigma do desenvolvimento

Rio Grande do Norte vive enigma do desenvolvimento

Apesar de recursos fartos e ciclos econômicos promissores, o estado segue na rabeira do crescimento nordestino e nacional, impactando diretamente o cidadão. Eleições de outubro exigem plano de estado.

O Rio Grande do Norte confronta-se, nesta quinta-feira, 30/04/2026, com um persistente paradoxo que desafia a lógica econômica e penaliza severamente sua realidade social. Historicamente, o estado é conhecido como a "terra das promessas de redenção", com ciclos econômicos que, um após o outro, falham em transformar a vida do cidadão potiguar, que ainda enfrenta carências no SUS, na escola pública e na segurança das ruas de Natal e do interior.

Mesmo com recursos naturais abundantes — como o sol e o vento, cobiçados mundialmente para energias limpas, e o potencial de hidrogênio verde, energia offshore e a retomada do petróleo e gás — o Rio Grande do Norte continua na rabeira do desenvolvimento nordestino e brasileiro. A sensação é de que esses ciclos enriquecem apenas estatísticas de exportação, sem promover a industrialização e a geração de empregos de qualidade que elevam a renda e a dignidade da população.

A coluna CONVERSA LIVRE, de Bosco Afonso, questiona a preparação dos governantes para converter essas potencialidades em desenvolvimento real. Há uma preocupação crescente de que as gestões priorizem a próxima eleição em detrimento da próxima geração, aprisionando o estado em um modelo de "economia de enclave". Nesse cenário, a riqueza é produzida localmente, mas os lucros e a industrialização transbordam para estados vizinhos, como Ceará e Paraíba, que avançam em infraestrutura enquanto o RN luta contra entraves burocráticos e a falta de uma estratégia de longo prazo.

Este debate não é meramente acadêmico. Com as urnas se aproximando em outubro, é imperativo que os candidatos ao governo e ao legislativo apresentem planos concretos que verticalizem as cadeias produtivas do estado, em vez de meras promessas eleitoreiras. O Rio Grande do Norte não pode mais ser apenas um exportador de matéria-prima e importador de soluções.

O desenvolvimento genuíno exige mais do que recursos naturais; demanda gestão eficiente, segurança jurídica e, sobretudo, a coragem política para converter ciclos temporários em pilares permanentes de justiça social e prosperidade econômica. O estado anseia por deixar de ser "o estado do futuro" para finalmente se tornar o estado do presente.

Panorama Político e Administrativo

Apesar da intensa especulação midiática sobre sua possível candidatura ao Senado Federal, o empresário Flávio Rocha mantém um silêncio absoluto. Ligado às Lojas Riachuelo e Confecções Guararapes, Rocha ainda não confirmou oficialmente sua entrada na disputa. Um amigo próximo, no entanto, sugere que essa "mudez" faz parte de uma estratégia de viabilização eleitoral. O presidente estadual do Novo, Ronaldo Cunha Lima, por sua vez, anunciou que Flávio Rocha promoverá uma grande manifestação em maio, mês que se inicia amanhã, 01/05/2026. Flávio Rocha possui experiência política, tendo sido deputado federal pelo RN por dois mandatos, inclusive participando da Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, e busca retornar à vida pública após mais de duas décadas de afastamento.

Em meio à discussão sobre o que se apelidou de "torquilho" do governo Lula em relação às verbas destinadas a Natal, o secretário de planejamento da Prefeitura de Natal, Vagner Araujo, fez uma avaliação contundente da situação financeira do estado, afirmando que "Quando o Estado fica em dificuldades financeiras, os municípios ficam órfãos". Legisladores do Partido dos Trabalhadores no RN expressaram incômodo com a repercussão de notícias sobre o travamento dessas emendas parlamentares, que têm paralisado várias obras essenciais na Capital.

Buscando ativamente soluções para este impasse, a vereadora Samanda Alves (PT) esteve ontem, 29/04/2026, na ante sala do Chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, em Brasília. Samanda Alves agiu de forma proativa, diferenciando-se de outros parlamentares petistas ao ir em busca de desbloquear as verbas das emendas federais para obras da Prefeitura de Natal, uma postura elogiada por sua busca por resoluções práticas em vez de confrontação com os fatos.

A controvérsia em torno da chamada Engorda de Ponta Negra segue real e com justificativa. Enquanto a oposição "pega no pé de Álvaro", alegando que o Tribunal de Contas da União – TCU investiga supostas irregularidades na obra, a Prefeitura de Natal sustenta que não foi acionada pelo órgão. A celeuma, portanto, persiste, mantendo o projeto sob intenso escrutínio público.

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