INFLUÊNCIA EM XEQUE

Restrições a Bolsonaro criam ruídos na pré-campanha e descontentam aliados

Ex-presidente Jair Bolsonaro em evento político
Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Foto: Agência Brasil

Com acesso limitado por decisões judiciais, ex-presidente Jair Bolsonaro mantém comando de decisões estratégicas da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Mudança na dinâmica gera desconforto e desconfiança entre membros do grupo político.

Apesar de cumprir prisão domiciliar e ter a comunicação restrita por determinações judiciais, o ex-presidente Jair Bolsonaro segue exercendo comando direto sobre definições cruciais na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência da República. A escolha de palanques estaduais e a definição de candidaturas majoritárias ainda dependem da aprovação do ex-presidente, segundo informações de aliados, em um cenário que gera insatisfação nos bastidores.

A nova configuração, que concentra o acesso a Bolsonaro nos filhos e na ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, faz com que as orientações e avaliações do ex-presidente sejam repassadas ao restante do grupo político principalmente através de Flávio. O senador assumiu, portanto, um papel central como intermediário entre o pai e a equipe de campanha, o que tem provocado desconforto.

Nos corredores da pré-campanha, integrantes relatam dificuldades em acompanhar ou confirmar orientações atribuídas ao ex-presidente. Essa dinâmica tornou a checagem de informações mais árdua e amplificou o peso político daqueles que detêm contato direto com Bolsonaro. É comum, segundo esses interlocutores, que decisões e posicionamentos sejam apresentados ao grupo como sendo a manifestação da vontade do ex-presidente, levantando questionamentos sobre a veracidade e a interpretação dessas diretivas.

Por outro lado, membros mais próximos de Flávio Bolsonaro rechaçam tais preocupações, demonstrando confiança plena na interlocução realizada pelo senador e descartando problemas na transmissão das orientações de Jair Bolsonaro. O presidente do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, minimiza as apreensões, afirmando que a influência de Bolsonaro é pública e facilmente perceptível, refletindo-se em repercussões imediatas entre aliados, na imprensa e nas movimentações da própria pré-campanha.

O ex-presidente Jair Bolsonaro encontra-se em prisão domiciliar desde o fim de março, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu a ele permanência em casa por 90 dias em decorrência de complicações de saúde. Atualmente, seu contato restringe-se a Michelle Bolsonaro, seus filhos, advogados, equipe médica e funcionários da residência.

A influência de Bolsonaro também se estende às negociações eleitorais nos estados, onde o ex-presidente acompanha de perto a definição de candidaturas majoritárias e participa ativamente das discussões sobre as chapas ao Senado. Flávio Bolsonaro tem destacado que alguns dos principais impasses da pré-campanha, como as articulações no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, dependem de uma manifestação de seu pai. Enquanto isso, a equipe coordenada pelo senador Rogério Marinho prepara um diagnóstico dos palanques estaduais para apresentação a Bolsonaro ainda em junho de 2026, visando sua avaliação final. A expectativa é que o aval do ex-presidente acelere a resolução de negociações e disputas internas na formação de alianças eleitorais.

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