EXPLORAÇÃO NA AMAZÔNIA
Rede criminosa explora migrantes de Cuba em rota pelo Brasil
Investigações revelam movimentação milionária de contrabandistas que extorquem famílias cubanas em trânsito rumo ao Sul e Sudeste do país.
Uma rede de exploração criminosa tem lucrado milhões ao interceptar migrantes de Cuba que atravessam a Amazônia brasileira em busca de novas oportunidades de vida. A estrutura, alvo de inquéritos da Polícia Federal, utiliza desde ameaças diretas até a falsificação de pedidos de refúgio para manter o controle sobre indivíduos em situação de vulnerabilidade.
A operação clandestina foi mapeada detalhadamente pela PF em 10 de julho de 2026. A investigação aponta que grupos conhecidos como pirateiros dominam a logística desde a entrada em Oiapoque (AP), submetendo os migrantes a extorsões que chegam a US$ 350 por trechos de transporte, além de ameaças físicas e vigilância armada constante nas estradas da região.
O impacto dessas ações vai além do prejuízo financeiro. Famílias inteiras, incluindo idosos e crianças, são deixadas à própria sorte em estradas isoladas caso não consigam arcar com os valores exigidos. A estratégia dos criminosos, que inclui o uso de batedores em motos para evitar a fiscalização na BR-156, visa garantir a continuidade da exploração sem levantar suspeitas das autoridades.
A delegada da PF, Jéssica Vanessa Varela, que liderou investigações sobre o tema, confirmou que muitos dos pedidos de refúgio protocolados com ajuda desses grupos continham endereços falsos, como uma residência abandonada em Curitiba. O objetivo real dos migrantes muitas vezes é a continuidade da viagem rumo a cidades como São Paulo, Florianópolis, Goiânia, Joinville e, em casos frequentes, aos Estados Unidos.
Relatórios da Abin e da ONU Migração destacam que a invisibilidade do crime no Amapá favorece a ação das quadrilhas. Como o estado serve apenas como ponto de trânsito rápido, a falta de estruturas de assistência torna os estrangeiros presas fáceis para os contrabandistas, que alteram seu modus operandi sempre que operações de repressão são deflagradas pela Polícia Federal.
Apesar da repressão intensificada em setembro de 2025, a complexidade da rede — que conecta interesses em Cuba, Suriname, Guiana Francesa e Brasil — torna o desmantelamento um desafio contínuo. Enquanto o inquérito policial segue em curso para identificar os líderes do esquema, famílias como a de Santiago de Cuba, que tentam chegar a Florianópolis, continuam a enfrentar os riscos impostos por essa engrenagem de exploração humana.
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