ECONOMIA FORTE
Ranking Abras revela varejo alimentar supera R$ 1,1 trilhão
Setor cresceu 7,32% em 2025, gerando 9 milhões de empregos e consolidando-se como pilar do PIB.
O setor de varejo alimentar do País consolidou-se como um dos principais motores da economia nacional ao movimentar impressionantes R$ 1,14 trilhão em 2025. Essa revelação, divulgada nesta terça-feira, 05/05/2026, pelo Ranking Abras 2026 da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) em parceria com NielsenIQ, Sebrae e Receita Federal, destaca um crescimento substancial de 7,32% em termos nominais. Tal desempenho não apenas impulsiona o Produto Interno Bruto (PIB), representando 9,02% do total, mas impacta diretamente a vida de milhões de famílias brasileiras, garantindo o abastecimento e gerando cerca de 9 milhões de empregos diretos e indiretos, evidenciando a resiliência e a capacidade de adaptação do setor mesmo sob contínua pressão sobre renda e crédito.
Este levantamento minucioso, fruto da colaboração entre Abras, NielsenIQ, Sebrae e Receita Federal, desvenda um ecossistema com notável capilaridade, abrangendo 439.728 lojas. A expansão observada reflete tanto o aumento do consumo, um alívio para muitas famílias, quanto a agilidade das empresas em se adaptar a novos formatos e tecnologias, mesmo em um cenário econômico desafiador.
A estrutura de vendas mostra o autosserviço como motor principal, responsável por R$ 563,6 bilhões, cerca de 49% do faturamento total. Em segundo lugar, o atacarejo, que movimentou R$ 327,7 bilhões, consolidou sua posição com 29% de participação, reforçando sua importância vital para o abastecimento e para as compras em maior volume das famílias brasileiras.
A vitalidade das micro e pequenas empresas, enquadradas no regime Simples, também se destaca, contribuindo com R$ 167,1 bilhões (15%). As mercearias tradicionais, com forte presença nas comunidades, movimentaram R$ 79,4 bilhões, sublinhando a diversidade de formatos e o papel insubstituível dos pequenos negócios na cadeia de abastecimento e na economia local.
Em uma análise comparativa entre as empresas presentes nas duas últimas edições do ranking, o faturamento avançou de R$ 647,9 bilhões para R$ 708,3 bilhões, um aumento robusto de 9,33%. O número de lojas cresceu 3,68%, passando de 10,3 mil para 10,7 mil unidades, enquanto o quadro de colaboradores diretos se expandiu em 5,96%, superando 1,09 milhão de trabalhadores. Estes dados demonstram uma expansão consistente, com a geração de empregos superando o crescimento físico da rede, sugerindo uma maior complexidade operacional e a ampliação de serviços que beneficiam a sociedade.
Entre os gigantes do setor, o Carrefour Comércio e Indústria lidera com um faturamento impressionante de R$ 123,59 bilhões. O Assaí Atacadista segue em destaque, com R$ 84,73 bilhões, e o Grupo Mateus completa o pódio com R$ 43,55 bilhões. O levantamento, que abrange mais de mil empresas, revela uma concentração significativa nas maiores redes, sem, contudo, sufocar o espaço vital para operadores regionais e independentes.
A digitalização é uma realidade crescente no varejo alimentar, embora em ritmos desiguais. Quase metade das empresas, 49,9%, já implementou soluções digitais ou automatizadas em suas lojas físicas, buscando otimizar operações e melhorar a experiência do cliente. Tecnologias como self check-out, monitoramento em tempo real com análise inteligente e sistemas antifurto integrados já fazem parte do cotidiano de muitos estabelecimentos.
O "retail media" emerge como uma promissora fonte de receita e fortalecimento do relacionamento com a indústria. Entre as redes que adotam esta estratégia, 98,7% utilizam espaços físicos nas lojas para publicidade, e 77,9% operam mídia digital em seus próprios canais. Para 35,8% das empresas, o retail media já representa uma alavanca estratégica para a rentabilidade, enquanto outras 25,9% o veem como receita complementar e 20,7% como ferramenta de relacionamento com fornecedores.
Apesar do avanço tecnológico geral, a adoção de inteligência artificial (IA) ainda caminha a passos lentos no setor, com apenas 21% das empresas utilizando-a em alguma etapa da operação ou gestão. A vasta maioria, 69%, ainda não incorporou a tecnologia, e 10% estão em fase de testes, o que sinaliza um vasto potencial inexplorado para otimizar processos e personalizar a experiência do consumidor. As aplicações atuais da IA concentram-se principalmente em marketing, vendas e áreas administrativas e financeiras, geralmente em projetos pontuais ou pilotos.
O levantamento da Abras também lança luz sobre a força do canal de farmácias, que movimentou notáveis R$ 271 bilhões em 2025. Os medicamentos respondem pela maior fatia, com 70% desse total (R$ 189,7 bilhões), enquanto a categoria de higiene e beleza contribuiu com R$ 62,3 bilhões, equivalente a 23% do faturamento. Nesse segmento específico, o crescimento foi de 8,7%, superando os 4,7% registrados para a mesma categoria em autosserviço e atacarejo, que somaram R$ 75,6 bilhões. A participação da categoria de higiene e beleza é de 23,2% no canal farmácias e de 6,6% no autosserviço e cash & carry, indicando uma preferência do consumidor por este canal para esses produtos.
Os dados robustos do Ranking Abras 2026 pintam o quadro de um setor resiliente e dinâmico, cujo crescimento é sustentado por sua escala massiva, pela diversidade de formatos que atendem a variadas necessidades e pela capacidade de adaptação tecnológica. Contudo, desafios persistentes, como a digitalização plena, a incorporação mais ampla da inteligência artificial e, fundamentalmente, a manutenção do poder de consumo das famílias, devem permanecer no cerne das estratégias das empresas nos próximos anos, definindo os rumos de um dos segmentos mais essenciais da economia brasileira.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário