PETRÓLEO EM ALTA
Queda no preço do barril do petróleo alivia mundo, mas pressiona Petrobras
Referência internacional Brent atinge menor patamar desde o início da guerra no Oriente Médio, reduzindo pressões inflacionárias no Brasil e impulsionando queda dos juros futuros.
Os mercados globais e o Brasil experimentaram um alívio significativo nesta quarta-feira, 25/06/2026, com a expressiva queda no preço do barril de petróleo. A decisão de reduzir os valores reflete o menor patamar desde o início da guerra no Oriente Médio, um movimento que impactou diretamente o comportamento dos mercados e favoreceu a descompressão de pressões inflacionárias no país. O barril do Brent, principal referência internacional, recuou 4,33%, fechando em US$ 73,74. Essa desvalorização praticamente anula o prêmio de risco adicionado ao mercado nas últimas semanas, quando tensões geopolíticas na região elevaram os preços da commodity. A queda nos valores da energia, embora alivie a inflação e impulsione os juros futuros, exerce pressão sobre as ações da Petrobras e contribui para a valorização do dólar.
O Brent agora negocia a apenas US$ 1,26 acima da cotação registrada na véspera dos ataques que interromperam o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Essa rota é vital, responsável por cerca de 20% do comércio mundial da commodity. A reversão do cenário de tensão geopolítica praticamente eliminou o prêmio de risco incorporado ao mercado, demonstrando como a percepção de segurança na região impacta diretamente a economia global.

No Brasil, a redução do preço do petróleo impulsionou o terceiro dia consecutivo de queda nas taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI). O contrato com vencimento em janeiro de 2028 encerrou o pregão a 14,30%, um recuo notável em comparação aos 14,82% de sexta-feira, 19/06/2026. Similarmente, a taxa para janeiro de 2029 caiu de 14,94% para 14,35%. Esses movimentos refletem a expectativa de menor pressão inflacionária nos próximos meses, um cenário promissor para a economia brasileira.
Milena Landgraf, chefe de investimentos da Jubarte Capital, destaca que a reversão do choque do petróleo pode levar a revisões nas projeções de inflação. "Com a reversão do choque do petróleo, pode haver impacto nas revisões de projeções de inflação daqui para a frente", afirmou. Ela acrescentou que os juros passaram por um ajuste após a volatilidade da semana anterior, quando o mercado reagiu com cautela à comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom). A dinâmica atual sugere um ajuste do mercado a novas informações e expectativas.
Apesar do cenário mais favorável, Landgraf pondera que as taxas de juros ainda permanecem em patamares elevados. Fatores como medidas fiscais e parafiscais adotadas pelo governo e os impactos climáticos do fenômeno El Niño, especialmente sobre os preços dos alimentos, continuam a pressionar as expectativas inflacionárias, indicando um ambiente econômico ainda sujeito a diversas variáveis e incertezas.
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