ECONOMIA E CUSTO
Queda no frete e melhora na safra aliviam pressão sobre o custo da cesta básica
Redução no valor dos alimentos no IPCA de junho traz alívio ao orçamento das famílias. Especialista alerta para riscos climáticos do El Niño no segundo semestre.
A inflação oficial do Brasil desacelerou significativamente em junho, registrando alta de 0,16% após o avanço de 0,58% observado em maio, conforme dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A mudança no cenário, reportada em 11/07/2026, traz um alívio direto ao bolso dos consumidores, especialmente no que diz respeito ao custo dos alimentos, que pesam na mesa de milhões de brasileiros.
O resultado surpreendeu o mercado financeiro, ficando abaixo da expectativa de 0,31% projetada por analistas consultados pela Reuters. A economista Marcela Kawauti destaca que a qualidade do recuo é mais relevante do que o número isolado, refletindo uma conjunção positiva entre custos logísticos e produção agrícola.
Logística e Produção
O grupo de alimentação e bebidas, que subiu 1,33% em maio, recuou para -0,24% em junho. Segundo Marcela Kawauti, a redução no preço do frete foi o motor principal desse comportamento, impactando diretamente itens como frutas e hortaliças, que dependem do transporte frequente.
A melhora nas condições logísticas decorre da queda nos combustíveis, que sentiram a dissipação parcial dos efeitos do conflito no Oriente Médio após o cessar-fogo estabelecido em meados de maio. Somado a isso, uma safra mais produtiva em culturas específicas deu fôlego extra para a redução dos preços ao consumidor final.
Desafios e monitoramento
Apesar da notícia positiva, o Banco Central mantém cautela. O núcleo de serviços recuou de 0,4% para 0,34% em junho, mas ainda mantém um patamar elevado, fechando o acumulado de 12 meses em 5,9%.
Marcela Kawauti aponta que o horizonte para o restante de 2026 exige atenção, especialmente devido aos possíveis impactos do El Niño no regime de chuvas. Caso a escassez hídrica se agrave, a bandeira tarifária de energia elétrica poderá ser elevada a partir de setembro, pressionando novamente o custo de vida. No setor de combustíveis, embora o petróleo apresente oscilações, os valores permanecem distantes dos picos registrados no auge das instabilidades globais.
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