IDOSOS EM RISCO
Quatro em cada dez idosos brasileiros temem cair devido a calçadas precárias, revela estudo
Pesquisa Elsi-Brasil, da Fiocruz e UFMG, aponta que a infraestrutura urbana deficiente afeta a mobilidade e autonomia da população mais velha, com impacto maior em mulheres e nos mais velhos. O receio de quedas afeta milhões e pode agravar o isolamento social.
Quatro em cada dez idosos que vivem em áreas urbanas no Brasil relatam medo de cair ao caminhar por calçadas, passeios ou vias públicas com defeitos. A preocupação com a segurança da infraestrutura urbana foi identificada em um levantamento realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil).
Esta quinta-feira, 28/05/2026, marca a divulgação de dados que revelam um receio ainda maior entre as mulheres, atingindo 50,5% delas, enquanto entre os homens o índice é de 31,9%. O medo de quedas, diretamente associado à precariedade das calçadas, aumenta significativamente com a idade: alcança 35,2% entre pessoas de 60 a 69 anos, sobe para 47,1% na faixa de 70 a 79 anos e chega a 63,1% entre idosos com 80 anos ou mais. Essa constatação evidencia um desafio crucial para a dignidade e a independência da população idosa no país.
Os pesquisadores alertam que a infraestrutura urbana tem impacto direto na mobilidade, autonomia e qualidade de vida da população idosa. O envelhecimento no Brasil, portanto, envolve desafios que vão muito além das condições de saúde, afetando a segurança e o bem-estar no cotidiano.
O estudo também aponta que 12,1% dos idosos consideram a vizinhança “muito insegura”, o que representa cerca de 3,8 milhões de pessoas. Essa percepção de insegurança não apenas restringe a circulação, mas também pode agravar o isolamento social, um efeito devastador para a saúde mental e física dos mais velhos.
Em paralelo, a hipertensão arterial foi identificada em 34,4% dos idosos avaliados, totalizando aproximadamente 11 milhões de brasileiros. Essa condição, muitas vezes silenciosa, eleva o risco de complicações graves como AVC, infarto e insuficiência renal, destacando a importância de monitoramento contínuo.
A pesquisa ainda revela que 20,4% dos idosos enfrentam dificuldades para realizar atividades básicas do dia a dia, como tomar banho, se vestir ou se alimentar. Entre as mulheres, esse índice é de 23,1%, e entre os homens, de 17%, evidenciando a necessidade de suporte para a manutenção da autonomia.
Apesar dessas limitações, apenas 37,9% das pessoas com dificuldades recebem ajuda regular. Ademais, menos de 6% dos cuidadores relataram ter recebido treinamento, um dado alarmante que reforça a fragilidade da rede de apoio disponível para esse público.
Os pesquisadores ressaltam o papel central do Sistema Único de Saúde (SUS), utilizado por cerca de dois terços da população idosa. A Estratégia Saúde da Família acompanha 69,2% desse público, demonstrando a capilaridade e a importância do SUS no cuidado continuado.
Os dados apresentados integram a terceira onda do Elsi-Brasil, um estudo nacional que monitora o envelhecimento da população e serve de base para o desenvolvimento de políticas públicas essenciais à saúde e ao bem-estar dos idosos brasileiros. Com informações Ag. Brasil.
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