DIREITOS E ACESSIBILIDADE
Psicóloga denuncia capacitismo após ser impedida de acompanhar bisavó no HRMS
Monique Lopes Marques enfrentou barreiras para oferecer suporte emocional à familiar idosa; defesa buscará responsabilização por danos morais e capacitismo.
A psicóloga Monique Lopes Marques denunciou ter sofrido capacitismo ao tentar exercer seu direito de acompanhar a bisavó, de 78 anos, durante uma internação no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), em Campo Grande. O caso, que evidencia falhas graves no acolhimento de pessoas com deficiência, ganhou visibilidade em 11/07/2026, revelando o impacto emocional do isolamento forçado em pacientes fragilizados.
Segundo o relato, uma funcionária da recepção questionou a capacidade de Monique de atuar como acompanhante devido à sua cegueira. Na ocasião, a bisavó apresentava um quadro clínico grave, com complicações cardíacas e renais, e expressava profundo medo de permanecer sozinha. "Ela chorava, dizia que morreria sozinha e abandonada. Sou psicóloga e sei o quanto o isolamento pode agravar o estado clínico de um idoso", desabafou Monique.
Embora tenha obtido uma autorização verbal inicial de uma enfermeira-chefe, Monique afirma que, ao retornar ao hospital no dia seguinte para regularizar a situação, foi novamente barrada. Durante o atendimento na recepção, uma servidora teria telefonado para a equipe de enfermagem questionando a viabilidade da presença da psicóloga por ser deficiente visual.
Somente após recorrer à Ouvidoria e ao Serviço Social do HRMS, a psicóloga conseguiu uma autorização definitiva para prestar assistência. A presença de Monique, segundo ela, trouxe benefícios imediatos: "Conversamos, rimos, ouvi suas histórias e acompanhei as informações médicas. Ela voltou a se alimentar, recuperou o ânimo e me apresentava às pessoas dizendo: ‘Essa é minha bisneta, ela veio ficar comigo’".
Mesmo com a liberação, Monique relatou que a mesma recepcionista continuou criando entraves, inclusive impedindo que seu marido a auxiliasse no trajeto até o quarto. A bisavó de Monique morreu dias depois dos episódios.
A advogada Paula Zanata, representante da família, informou que a defesa buscará a responsabilização da instituição e dos envolvidos. Entre as medidas previstas estão o pedido de indenização por danos morais, a apuração da conduta dos servidores e a exigência de um programa permanente de capacitação inclusiva no hospital. A defesa também monitora comentários preconceituosos disseminados em redes sociais após a repercussão do caso.
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