VIOLÊNCIA DE GÊNERO

Promotora destaca violência contra mulheres que atinge o rosto em 90% dos casos

Ilustração mostrando o rosto de uma mulher com hematomas e em destaque.
Agressão contra mulheres: rosto da vítima é o principal alvo

Estudos apontam que o rosto é o principal alvo em agressões físicas contra mulheres, visando causar danos permanentes à aparência e à autoestima das vítimas. O Sistema Único de Saúde (SUS) é obrigado a reparar danos estéticos e psicológicos.

Estudos nas áreas de odontologia e medicina revelam que entre 70% e 90% das agressões físicas contra mulheres têm o rosto como alvo principal. Essa constatação, apresentada pela promotora de Justiça Fabíola Sucasas, evidencia um padrão cruel na violência de gênero: a intenção de infligir danos permanentes à aparência e, por consequência, à dignidade das vítimas.

A preocupação com a subnotificação desses casos é igualmente relevante. Uma pesquisa com 3.193 usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) na Grande São Paulo indicou que 76% delas já haviam vivenciado alguma forma de violência, contudo, apenas 3,8% possuíam registros formais de tais agressões em seus prontuários médicos. Esta quinta-feira, 09/07/2026, marca um momento para refletir sobre a urgência de políticas públicas e conscientização sobre o tema.

Valeska Martins de Oliveira Brasil, pesquisadora, explica que os agressores utilizam o ataque à face como uma ferramenta psicológica. "É uma violência que tem uma pedagogia. O homem, quando atinge a face, está não só dando uma lição nessa mulher, mas tornando ela, vamos colocar assim, ‘estragada’. 'Você não é minha, mas também ninguém mais vai te desejar'", detalha.

Fabíola Sucasas acrescenta que os ataques que resultam em desfiguração demandam um acompanhamento especializado por parte do serviço de saúde. "A ideia é agredir e matar com crueldade. Essa desfiguração vai exigir do serviço de saúde determinadas providências. Hoje nós temos uma legislação que obriga o SUS a reparar o dano estético, a reparar o dano, inclusive, psicológico, que essas lesões podem acarretar", assegura.

Em São Paulo, iniciativas como o Instituto Novo Olhar oferecem um suporte integral a mulheres vítimas de violência, incluindo reconstrução facial, atendimento psiquiátrico e psicológico, além de orientação jurídica e assistência social. Carla Góes, fundadora da instituição e médica, relata já ter assistido 435 mulheres. Para ela, a recuperação da aparência "dá para ela dignidade. Dá para ela uma nova chance".

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