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Projeto que amplia penas para denúncias falsas avança no Senado da Argentina
A proposta da senadora Carolina Losada sugere penas de até seis anos de prisão, gerando alertas de especialistas sobre o risco de silenciar vítimas de violência.
Uma proposta legislativa que visa endurecer as punições para denúncias falsas em casos de violência de gênero, abuso sexual e crimes contra menores avançou no Senado da Argentina, em decisão tomada no dia 12/07/2026. A iniciativa, que tramita na Comissão de Assuntos Penais, busca alterar o Código Penal para elevar penas que hoje variam de dois meses a um ano para patamares entre um e seis anos de reclusão, dependendo da gravidade e do contexto da acusação.
A medida, de autoria da senadora Carolina Losada, estabelece agravantes específicos para denúncias falsas vinculadas a delitos sexuais ou intrafamiliares. O avanço do projeto ocorre em um momento de acirramento do debate sobre políticas de gênero no país, sob a gestão do presidente Javier Milei.
Especialistas e defensores dos direitos humanos alertam que a criminalização severa do denunciante pode ampliar o medo e desestimular vítimas reais a buscarem o Estado, agravando o cenário de subnotificação. De acordo com o Observatório de Violência de Gênero dos Ministérios Públicos Fiscais da Argentina, denúncias falsas representam apenas 0,09% do total de processos penais analisados entre 2023 e 2025.
Lucila Galkin, diretora de gênero e diversidade da Anistia Internacional Argentina, critica a desproporcionalidade da proposta, observando que a pena prevista para a falsa denúncia superaria a punição atual para crimes de abuso sexual simples. “O problema é que a maioria das vítimas não denuncia ou não consegue obter proteção efetiva do Estado”, afirma Galkin, reforçando que 200 feminicídios foram registrados no país em 2025.
Desde que assumiu a Presidência, Javier Milei tem promovido o desmonte de estruturas dedicadas ao combate à desigualdade, incluindo a extinção do Ministério das Mulheres. A situação já chegou ao conhecimento do Comitê para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher da ONU, que recomendou a retirada do texto por possíveis violações a compromissos internacionais. O projeto ainda depende de votações adicionais para se tornar lei definitiva.
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