ALERTA GEOPOLÍTICO
Professor iraniano classifica Brasil como 'país fraco' e descarta papel na mediação com EUA
Mohammad Marandi, analista ligado ao regime do Irã, minimiza a capacidade brasileira em influenciar negociações sobre o conflito com os Estados Unidos e avalia controle indefinido sobre o Estreito de Hormuz.
A decisão de um influente professor iraniano, Mohammad Marandi, de classificar o Brasil como um "país fraco" e descartar qualquer papel relevante do governo brasileiro na mediação do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, foi revelada nesta terça-feira, 26/05/2026. A declaração, feita em entrevista à Folha de S. Paulo, reflete uma visão crítica sobre a capacidade de influência internacional do Brasil em um momento de alta tensão geopolítica no Oriente Médio. Marandi, analista político próximo à Guarda Revolucionária do Irã e a setores da linha-dura do regime, possui laços familiares com figuras proeminentes do governo, sendo filho de Alireza Marandi, médico pessoal do aiatolá Ali Khamenei, e tendo atuado na guerra Irã-Iraque. O impacto dessa percepção se estende à dignidade e ao reconhecimento da soberania brasileira no cenário global. Ao ser comparado desfavoravelmente com o Irã e ter sua inação diante de ações americanas em outros países como Venezuela e Cuba ressaltada, o professor Marandi sugere uma fragilidade que pode minar a confiança nas iniciativas diplomáticas brasileiras. "Não acho que o Brasil possa fazer muito. Não conseguiu impedir os EUA de ocuparem a Venezuela. O Brasil é um país fraco, não é como o Irã", afirmou Marandi. Ele complementou: "Eu esperaria que o Brasil fosse diferente. Mas os EUA podem invadir Cuba e o Brasil não fará nada. Não temos expectativas sobre o Brasil." A fala ocorre em um contexto de escalada militar e risco crescente para o fluxo global de energia. Marandi declarou que o Irã manterá controle indefinido sobre o estreito de Hormuz, rota vital para o transporte mundial de petróleo, como medida de retaliação a países hostis. Essa afirmação eleva o risco de instabilidade econômica e de segurança para nações dependentes do comércio marítimo. O professor também fez acusações graves contra os Estados Unidos, citando um bombardeio deliberado contra uma escola em Minab, em fevereiro, que teria matado 175 civis, incluindo crianças. "Eles sabiam que aquilo era uma escola. Queriam atingir aquelas crianças porque talvez fossem filhos de oficiais militares e queriam dar uma lição", acusou, rotulando as ações americanas como "bárbaras". Em relação às negociações diplomáticas, Marandi descartou a possibilidade de o Irã transferir seu estoque de urânio enriquecido para terceiros países, uma exigência americana. Ele classificou o direito iraniano de enriquecer urânio e as condições para um cessar-fogo como "linhas vermelhas", afirmando que o país está "preparado para voltar à guerra por isso". Questionado sobre a pressão econômica, Marandi assegurou que o Irã resistirá "indefinidamente", descrevendo a situação como "uma luta pela nossa sobrevivência". Ele minimizou, mais uma vez, a influência brasileira, mesmo reconhecendo críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos EUA e às ações em Gaza: "Seu presidente é uma boa pessoa, ele critica [os EUA], mas não vai fazer nada". As declarações coincidem com ataques americanos a posições iranianas no sul do Irã, descritos pelo Pentágono como medidas preventivas contra lançadores de mísseis e embarcações que preparavam a instalação de minas no estreito de Hormuz. A situação permanece indefinida quanto ao impacto dessas novas ofensivas nas negociações diplomáticas. Paralelamente, o governo iraniano anunciou a retomada parcial do acesso à internet após 87 dias de bloqueio quase total, medida determinada pelo presidente Masoud Pezeshkian, embora os detalhes do mecanismo de reabertura ainda não tenham sido divulgados.
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