EDUCAÇÃO EM FOCO
Priscila Cruz defende investimento em professores como prioridade para o MEC
Especialista aponta qualificação docente como chave para o avanço de políticas básicas como alfabetização e educação integral. Defende turbinar programas de atração e formação de professores.
A medida mais urgente que o Ministério da Educação (MEC) precisa adotar no próximo governo é a revisão das políticas voltadas aos professores. A avaliação é de Priscila Cruz, cofundadora e presidente-executiva do Todos Pela Educação. A especialista enfatizou que o investimento mais eficaz na área é, sem dúvida, na qualificação do corpo docente. A declaração foi feita após sua participação no Brasil Adiante, série de eventos promovida pelo Estadão que busca apresentar propostas concretas para o presidente eleito em outubro. As soluções discutidas serão compiladas em um documento a ser entregue em novembro.
Segundo Cruz, embora tenham ocorrido avanços em políticas educacionais básicas, como alfabetização, ensino integral e educação profissional, o sucesso dessas iniciativas depende diretamente da qualificação dos professores. “Se não qualificarmos bem o professor, todas essas políticas terão um resultado muito aquém do que poderiam”, alertou. Ela ressalta a necessidade de investir na atratividade da carreira, garantir uma formação inicial de excelência e melhorar as condições de trabalho. “Se conseguirmos colocar muita intensidade, recursos e técnica nesse conjunto de políticas docentes, aí o Brasil voa.”
Para tornar a carreira docente mais atrativa, a especialista sugere impulsionar o programa Mais Professores, que concede bolsas do governo federal a estudantes com notas acima de 650 no Enem para cursar licenciaturas. Essa iniciativa visa permitir que os futuros professores se dediquem aos estudos sem a necessidade de trabalhar em outra área e auxiliá-los a cobrir os custos de faculdades, sejam elas públicas ou privadas. O objetivo é atrair talentos e elevar a média de desempenho dos ingressantes na profissão.
Cruz também destacou a importância de uma formação universitária que priorize a preparação para a sala de aula. Ela apontou a complexidade do ensino no Brasil, marcada pela dispersão dos níveis de aprendizagem entre os alunos de uma mesma turma, o que exige do professor conhecimento técnico para realizar intervenções específicas para cada grupo. Para isso, é fundamental reformular o currículo dos cursos de pedagogia e licenciaturas, reduzindo a participação do ensino a distância (EAD) em favor de uma preparação mais prática e síncrona.
No que diz respeito à formação continuada, Priscila Cruz indicou que essa responsabilidade recai majoritariamente sobre Estados e Municípios, com o governo federal atuando no estabelecimento de diretrizes e na criação de plataformas de apoio. Ela observou que as políticas públicas mais bem-sucedidas em áreas como alfabetização e educação integral surgiram da articulação entre os entes subnacionais, e esse modelo deve ser replicado na formação docente.
A especialista também comentou sobre o debate no Conselho Nacional de Educação (CNE) a respeito da participação do EAD na formação de professores. Ela defende o texto que limita a flexibilização em favor de modelos presenciais e síncronos, alertando para a pressão de universidades privadas que buscam expandir o EAD. “Precisamos criar uma pressão da sociedade: ‘Olha, conselheiros, não flexibilizem, não caiam no lobby das universidades privadas’. Precisamos garantir uma formação de qualidade para todos os professores e futuros professores”, concluiu.
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