DESFECHO JUDICIAL
Prisão de Aluísio Farias Batista encerra saga de 42 anos foragido após a Tragédia do Baldo
Condenado pela morte de 19 pessoas no Carnaval de 1984, homem é capturado em Mato Grosso após mais de quatro décadas foragido. O caso reconfigurou a festa popular em Natal.
{"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"A prisão de Aluísio Farias Batista, condenado pela Tragédia do Baldo, encerra um capítulo de mais de 40 anos de foragido. A decisão judicial, anunciada nesta terça-feira, 30/06/2026, pelo Departamento de Polícia Civil do Rio Grande do Norte em conjunto com a Polícia Civil de Mato Grosso, traz à tona um dos episódios mais impactantes da história do Rio Grande do Norte. O acidente, que vitimou 19 pessoas durante o Carnaval de 1984, marcou uma ruptura na forma como os natalenses celebravam a festa e alterou o perfil do Carnaval de rua da capital por décadas, afetando a segurança e a percepção pública da alegria carnavalesca."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Na década de 1980, o Carnaval de Natal era conhecido pelos seus vibrantes blocos de rua. Um deles era o Cordão do Puxa-Saco, fundado em 1975 pelo produtor cultural Dickson Medeiros. O bloco animava as ruas do bairro Baldo, reunindo centenas de foliões em uma época em que, segundo Medeiros, o foco era a pura celebração. "Eu sou de uma época em que o Carnaval tinha glamour. Era orquestra de frevo, não tinha sonorização. Os blocos eram puxados por tratores com carros alegóricos e a orquestra seguia tocando enquanto os componentes acompanhavam pelas ruas.", relembra."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Dickson descreve os "assaltos" como uma tradição carnavalesca, onde blocos eram recebidos com comida e bebida por moradores. "Naquela época a gente brincava Carnaval para brincar Carnaval. Hoje é diferente. O Carnaval virou uma indústria", compara."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Para o professor de História, Dr. Lenin Campos Soares, o modelo do Carnaval natalense na década de 1980 espelhava o perfil social da cidade. "O carnaval na década de 1980 era dos cordões, blocos de rua da elite da cidade. E também dos bailes de carnaval, com máscaras e lança-perfume." Ele aponta que blocos como o Puxa-Saco concentravam moradores de bairros tradicionais como Petrópolis, Cidade Alta e Tirol, evidenciando uma elite carnavalesca. Contudo, Soares ressalta que o Carnaval sempre existiu em Natal, mas a Tragédia do Baldo representou uma ruptura significativa dessa tradição."}},{"type":"image","data":{"url":"https://diariodorn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Foto-Todo-Natalense.png","caption":"Carnaval de Natal em épocas passadas","alt_text":"Imagem de foliões em um carnaval antigo em Natal."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"A madrugada de 25 de fevereiro de 1984, por volta das 0h50, foi marcada por um evento trágico. Cerca de cinco mil pessoas acompanhavam o Cordão do Puxa-Saco na Cidade Alta quando um ônibus desgovernado invadiu o percurso. Segundo as investigações, o motorista Aluísio Farias Batista, após uma longa jornada de trabalho, conduzia o coletivo que colidiu com um veículo estacionado, atravessou o canteiro central da Avenida Rio Branco e atingiu os foliões. O acidente resultou em 19 mortes e dezenas de feridos, abalando profundamente a comunidade e a dignidade dos envolvidos e de suas famílias."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Dickson Medeiros, diretor do bloco, recorda o trauma. "Quando cheguei ao hospital, o médico disse que Simone Banhos tinha acabado de falecer. Eu fiquei completamente sem chão." O impacto psicológico do evento foi profundo, levando muitos a abandonarem o carnaval de rua. "O acidente assustou as pessoas e fez com que elas deixassem de frequentar o carnaval de rua", explica o historiador Lenin Campos Soares. O medo impulsionou a mudança para as praias e casas de veraneio, alterando o panorama da folia por anos. "A festa de rua só voltou a ganhar força a partir dos anos 2000", conclui o pesquisador."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"As vítimas fatais foram Abimael Florêncio Bernardo (18 anos), Acelúsio Borges Gomes (33 anos), Astor dos Santos Dantas (27 anos), Benedito Alves da Silva, Dinarte de Medeiros Mariz Neto (19 anos), Esdras César da Silva, “Lelé” (56 anos), Francisco Alves da Silva (34 anos), Jaeci Cabral de Oliveira, Jethe Nunes de Oliveira (32 anos), João Felix de Lima, “Reis” (36 anos), José dos Santos Xavier (47 anos), José Luis da Silva (28 anos), Luis Inácio da Silva (46 anos), Milton Cevita de Brito (59 anos), Murilo Alberto Viana da Silva (36 anos), Rizomar Correia dos Santos (26 anos), Simone Banhos Teixeira (20 anos), Wellington Teófanes de Assis (31) e Wallace Martins Gomes (22 anos)."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"A captura de Aluísio Farias Batista, 69 anos, ocorreu em Mato Grosso após uma investigação detalhada que incluiu cruzamento de informações cadastrais e análise facial. Foragido há mais de 42 anos, ele utilizava a identidade de um falecido e renovou sua CNH em 2021. Após apresentar uma identidade falsa, ele confessou seu real nome e histórico. Aluísio foi encaminhado ao sistema prisional para cumprir a pena em regime fechado, finalizando um longo processo judicial que manteve a memória da tragédia viva e impactou a justiça."}}]}
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