TENSÃO NO CONGRESSO

Pressão de aliados sobre Davi Alcolumbre gera crise com o Planalto

Foto do presidente do Senado Davi Alcolumbre
Pressão e alfinetadas de aliados a Davi Alcolumbre preocupam PT e governo

Declarações hostis de governistas travam negociações da PEC da escala 6×1 no Senado e dificultam a interlocução entre Luiz Inácio Lula da Silva e Davi Alcolumbre.

A tensão entre o Palácio do Planalto e o Senado atingiu um novo patamar, nesta sexta-feira, 10/07/2026, após uma série de declarações hostis de aliados do governo direcionadas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O desgaste político foi intensificado por falas do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), que, na terça-feira, 07/07/2026, classificou Alcolumbre como um “inimigo” devido ao atraso na tramitação da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1.

A postura adotada pelo parlamentar causou desconforto imediato entre lideranças governistas e ministros, que buscam resgatar a estabilidade das negociações. Para o governo, a estratégia de confronto coloca em risco a viabilidade da matéria, considerada uma bandeira prioritária para o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto a base insiste na urgência, Alcolumbre mantém a PEC represada em seu gabinete, sem autorização para envio à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A crise institucional é reflexo do distanciamento entre Davi Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, iniciado com a rejeição, por parte do Senado, da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) em abril de 2026. Desde então, o diálogo entre os Poderes tornou-se escasso, com Alcolumbre exigindo respeito às prerrogativas da Presidência do Senado.

Em nota oficial emitida após as falas de Pedro Uczai, Davi Alcolumbre afirmou que não tolerará ameaças e que a definição da pauta legislativa não se submete a ultimatos. O parlamentar também manifestou incômodo com postagens inflamadas de figuras como Lindbergh Farias (PT-RJ). Apesar do clima de animosidade, a nova liderança do governo no Senado, sob comando petista, aposta em uma estratégia de mediação e diplomacia para destravar a pauta e evitar que a radicalização inviabilize conquistas sociais essenciais para os trabalhadores.

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