CHOQUE DE REALIDADE
Presidente Lula expõe elos do crime em poder e futebol
R$ 11,1 bilhões para a segurança marcam o início do Programa Brasil Contra o Crime Organizado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou o ambicioso Programa Brasil Contra o Crime Organizado nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, com um investimento de R$ 11,1 bilhões. Durante o evento no Palácio do Planalto, Lula surpreendeu ao declarar que o crime organizado não se limita às periferias, mas se infiltra em altas esferas como o Congresso Nacional, o Poder Judiciário e o Futebol, provocando uma reflexão profunda sobre a dignidade e a segurança da sociedade brasileira ao desafiar a percepção tradicional sobre onde o crime realmente habita.
Em sua fala contundente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfatizou que as forças de segurança devem expandir seu olhar para além das comunidades, onde, segundo ele, a criminalidade muitas vezes é superficial. "Muitas vezes a polícia olha para a favela, mas muitas vezes o crime está no 2º andar, está no Congresso Nacional, no Poder Judiciário, no Futebol", declarou Lula, sublinhando que o verdadeiro criminoso pode ser "o que está no andar de cima, de gravata, tomando uísque", e não necessariamente o desempregado em áreas carentes.
O chefe do Executivo sinalizou que o caminho para erradicar o crime é longo e desafiador. Ele cobrou uma revisão nas relações com o Poder Judiciário, ecoando queixas frequentes de governadores sobre a soltura rápida de suspeitos. A fala ressalta a tensão entre diferentes esferas de poder na busca por uma justiça eficaz e duradoura.
Lula também reiterou sua pressão sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante encontro anterior, o líder brasileiro afirmou ter entregado uma lista de cidadãos brasileiros ligados ao crime organizado supostamente refugiados em Miami. Lula afirmou que o Brasil possuía expertise para colaborar, caso Trump demonstrasse disposição séria no combate a estas redes internacionais.
Detalhamento do Programa
O Programa Brasil Contra o Crime Organizado representa uma injeção robusta de recursos: R$ 1,065 bilhão virá diretamente do Orçamento da União, complementados por uma linha de crédito de R$ 10 bilhões do BNDES, destinada a auxiliar estados e municípios. A iniciativa está estruturada em quatro pilares essenciais para desmantelar as organizações criminosas:
- Presídios de segurança máxima;
- Asfixia financeira do crime;
- Investigação de homicídios;
- Combate ao tráfico de armas.
O ministro da Justiça, Wellington César Lima, saudou o programa como “bem-vindo e na medida certa”, destacando que aproximadamente 80% dos líderes de facções criminosas catalogadas estão sob custódia nos sistemas prisionais. Lima fez questão de mencionar que a viabilização do plano só foi possível após uma suplementação orçamentária aprovada semanas antes, resultado direto da intervenção presidencial: “O senhor viabilizou R$ 1 bilhão no Orçamento Geral da União, além de R$ 10 bilhões em financiamento pelo BNDES”, afirmou, dirigindo-se a Lula.
Pedro Maia, presidente do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais, reforçou a importância de ações integradas no combate ao arsenal do crime organizado, na recuperação de territórios, especialmente nas fronteiras, e na qualificação para a elucidação de delitos. Jean Francisco Bezerra Nunes, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública, corroborou que “o plano vem em boa hora”, mas enfatizou a necessidade de os Estados também assumirem suas responsabilidades e implementarem as medidas propostas.
A sustentabilidade do programa, que não possui um prazo de encerramento definido, dependerá da aprovação da PEC da Segurança Pública. A proposta, que visa garantir um financiamento permanente para as ações de segurança, encontra-se paralisada no Senado desde o mês de março.
Autoridades Presentes
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — presidente da República;
- Geraldo Alckmin (PSB-SP) — vice-presidente e ministro do MDIC;
- Paulo Gonet (PGR) — procurador-geral da República;
- Hugo Motta (Republicanos-PB) — presidente da Câmara;
- Wellington César Lima — ministro da Justiça;
- Pedro Maia — presidente do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais;
- Jean Francisco Bezerra Nunes — presidente do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública;
- André de Albuquerque Garcia — secretário de Políticas Penais;
- Francisco Lucas Costa Veloso — secretário nacional de Segurança Pública;
- William Morais — diretor-geral substituto da Polícia Federal;
- Alexandre Silveira (PSD-MG) — ministro de Minas e Energia;
- João Paulo Capobianco (MMA) — ministro do Meio Ambiente;
- Margareth Menezes (MinC) — ministra da Cultura;
- Frederico Siqueira (Ministério das Comunicações) — ministro das Comunicações;
- Gleisi Hoffmann (PT-PR) — deputada federal e ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais;
- Sidônio Palmeira — ministro da Secretaria de Comunicação Social;
- Chico Lucas — secretário de Segurança Pública.
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