FOCO GEOPOLÍTICO REDIRECIONADO

Presidente Donald Trump volta seu foco geopolítico para as Américas após acordo com o Irã, aponta analista

Presidente Donald Trump em evento oficial.
Presidente Donald Trump assina acordo provisório com o Irã, com foco agora nas Américas.

Com acordo provisório assinado com o Irã, analista da CNN avalia que as Américas se tornam a nova prioridade do presidente Donald Trump, com impacto em Cuba, China e eleições estratégicas.

Na quinta-feira, 18 de junho de 2026, o presidente Donald Trump assinou a versão impressa do acordo provisório com o Irã. Com a questão do Oriente Médio parcialmente encaminhada, cresce a expectativa sobre o próximo foco geopolítico do republicano. Segundo a analista Fernanda Magnotta, em participação no CNN 360°, a resposta aponta para as Américas.

Magnotta explicou que o conflito com o Irã gerava pressões significativas não apenas no campo diplomático, mas também no ambiente doméstico dos Estados Unidos. "Havia um elemento de pressão sobre Donald Trump do ponto de vista geopolítico e também com efeitos bastante notáveis do ponto de vista doméstico, com pressão inflacionária", afirmou a analista.

A elevação do preço de alimentos e combustíveis, que chegou a superar US$ 5 o galão em alguns estados, foi citada como fator que contribuiu para o aumento da impopularidade de Trump.

De acordo com a analista, a estratégia de segurança nacional divulgada pelo governo no final do ano passado demonstra a intenção de Trump de concentrar esforços no hemisfério ocidental.

"O presidente Trump deseja e vai colocar atenção no hemisfério ocidental, ou seja, nas Américas", disse Magnotta. Ela avaliou que o acordo com o Irã representou um "soluço" no Oriente Médio, mas que a prioridade geopolítica do governo tem sido reafirmada de forma recorrente.

Temas como Cuba, a presença chinesa em países latino-americanos, eleições estratégicas no Brasil e em outras nações, além de disputas tecnológicas e questões tarifárias, devem ganhar destaque na região.

Magnotta ressaltou que China e Rússia permanecem como preocupações constantes na estratégia americana, independentemente de quem ocupe a presidência.

"A Rússia é vista como um adversário e a China é vista como um rival", explicou, acrescentando que essa distinção se manteve ao longo dos governos Trump, Joe Biden e Barack Obama. Assim, mesmo com o foco voltado para as Américas, Trump deve continuar monitorando as frentes relacionadas a esses dois países.

Eleições de meio de mandato pressionam agenda doméstica

No plano interno, a analista alertou que as eleições de meio de mandato, previstas para novembro de 2026, também exigirão atenção crescente de Trump.

Pesquisas genéricas para o Congresso já indicam uma vantagem democrata de cerca de sete pontos percentuais.

"Na última vez em que houve uma virada de maioria na Câmara dos Representantes, que foi em 2018, os democratas retomaram a Câmara justamente com uma vantagem que na época era de D mais 8", comparou Magnotta.

A analista destacou ainda que a taxa de aprovação de Trump oscila entre 36% e 39%, tornando o cenário eleitoral desafiador para o republicano. Apesar disso, Magnotta ponderou que Trump ainda representa uma força política relevante e controla o Partido Republicano.

"Daqui para frente é assim que o presidente Trump vai todo dia acordar, olhando para esse quadro de duas frentes ao mesmo tempo que se retroalimentam", concluiu a analista, referindo-se ao equilíbrio necessário entre a agenda internacional e a disputa pelo eleitor independente, que representa cerca de 34% do eleitorado em jogo.

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