INTEGRIDADE JUDICIAL

Presidente do TST corta salário de ministros e exige transparência

Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, presidente do TST, em discurso.
Presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho.

Luiz Philippe Vieira de Mello Filho anuncia medida por faltas e confronta polêmicas sobre palestras pagas, buscando restaurar a confiança pública no Judiciário.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST), sob a liderança de seu presidente, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, decidiu que ministros que faltarem às sessões de julgamento sem justificativa terão seus salários descontados. A medida, anunciada nesta terça-feira, 05/05/2026, é uma resposta direta às recentes revelações sobre palestras pagas dadas por membros da corte a advogados, gerando uma preocupação ética profunda sobre a proximidade entre julgadores e as partes litigantes, e visando resgatar a confiança da sociedade na imparcialidade da Justiça.

A tensão se acirrou com a palestra do ministro Ives Gandra Martins Filho, que, em um curso coordenado pelo vice-presidente do Tribunal, Guilherme Caputo Bastos, classificou seus colegas em categorias “azuis e vermelhos”, conforme sua interpretação do Direito do Trabalho. O episódio não apenas expôs divergências internas, mas levantou questionamentos sobre a neutralidade e unidade do corpo julgador.

O próprio presidente, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, utilizou a mesma terminologia em um evento público, explicando posteriormente que a adoção das cores foi uma forma de reagir à divisão imposta pelo colega. Esse embate público entre os dois ministros culminou em uma discussão acalorada durante uma sessão da corte na última segunda-feira, 04/05/2026, evidenciando as fissuras internas do Tribunal.

Para o presidente do TST, a prática de ministros cobrarem para instruir advogados sobre como atuar no próprio Tribunal onde exercem a função de julgadores é “completamente antiética”. Ele sustenta que tal conduta cria uma indesejável e irregular proximidade entre aqueles que pagam pelos ensinamentos e os magistrados responsáveis por julgar suas causas, abalando a percepção de equidade.

Vieira de Mello não pretende proibir as palestras, mas defende veementemente a implementação de um rigoroso código de conduta que assegure total transparência. Sua proposta é que todas as partes envolvidas em processos judiciais tenham conhecimento explícito quando um ministro tiver recebido valores de quem litiga perante a corte, garantindo a lisura e a publicidade dessas relações.

A busca por maior integridade não é recente. Em 2023, o presidente do TST tentou sem sucesso aprovar uma resolução mais rígida para a magistratura no Conselho Nacional de Justiça, que visava fortalecer a ética e a probidade na classe. A proposta foi rejeitada por uma margem mínima, por apenas um voto.

Na mesma linha de defesa da Justiça do Trabalho, Vieira de Mello expressou forte crítica à ideia de limitar a competência da corte a casos de trabalhadores com renda mensal de até R$ 16 mil. Ele argumenta que tal restrição carece de qualquer respaldo legal ou constitucional, comprometendo o acesso universal à justiça laboral.

O presidente do TST também reiterou sua posição de que a regulamentação do trabalho por plataformas digitais deve ser uma prerrogativa do Congresso Nacional, e não do Supremo Tribunal Federal. Ele revelou ter tentado mediar um acordo entre as partes envolvidas, mas as negociações infelizmente fracassaram antes que um texto final pudesse ser elaborado.

Abordando a proposta de redução da jornada de trabalho, Vieira de Mello enfatizou o potencial benefício para três em cada dez brasileiros. Ele categoricamente refutou a alegação de que a medida poderia levar empresas à falência, traçando um paralelo histórico com a resistência inicial enfrentada quando as férias remuneradas foram instituídas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), demonstrando que avanços sociais frequentemente encontram objeções iniciais.

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