FIM DA 6X1

Presidente da FIEPA critica condução desastrosa da discussão sobre fim da escala 6x1

Foto de Alex Carvalho, presidente da FIEPA.
Alex Carvalho, presidente da FIEPA, em pronunciamento.

Alex Carvalho, da FIEPA, alerta que proposta aprovada na Câmara pode afetar programas habitacionais e elevar custos de bens e serviços. Ele pede discussão aprofundada no Senado.

A forma como a proposta de fim da escala 6x1 está sendo discutida e conduzida é desastrosa. A declaração é de Alex Carvalho, presidente da FIEPA (Federação das Indústrias do Pará), que manifestou nesta terça-feira, 07/07/2026, forte crítica ao debate em curso. Segundo ele, o setor produtivo não é contra a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores, mas alerta que a decisão, se implementada de forma abrupta como se apresenta, trará consequências negativas para toda a população brasileira, especialmente para as camadas mais vulneráveis.

A discussão sobre a possível redução da jornada de trabalho no Brasil ganhou força após a aprovação de uma proposta relacionada ao fim da escala 6x1 na Câmara dos Deputados. Especialistas do setor industrial apontam que a produtividade do país tem registrado índices cada vez mais baixos, e o tema reacendeu um debate antigo sobre os efeitos dessa mudança.

Carvalho destacou a heterogeneidade da economia brasileira, com características industriais distintas entre as regiões. Como representante do setor da construção civil no Pará, ele alertou que programas habitacionais essenciais, como o Minha Casa Minha Vida, podem ser diretamente afetados pela elevação de custos decorrente de uma redução abrupta da jornada. "Fatalmente, teremos menos oferta de casas a uma população que, para regiões norte e nordeste, o programa tem atingido números significativos", afirmou, prevendo impactos também no preço de alimentos e serviços como internet e telefonia.

O representante da FIEPA criticou ainda o que classificou como viés eleitoral na condução do tema. "Tudo isso será impactado por uma redução abrupta e impensada com o cunho eleitoreiro, o que é o pior", declarou. Carvalho expressou preocupação com a possibilidade de um colapso econômico caso a medida seja implementada sem um planejamento adequado, ressaltando que a forma imposta não permite ao setor produtivo se preparar para as mudanças.

Propostas de alternativa e apelo ao Senado

Diante desse cenário, Alex Carvalho defendeu que o Senado promova uma discussão mais aprofundada e racional sobre o tema. Entre as alternativas sugeridas, ele citou a manutenção do princípio do acordado sobre o legislado — considerado um avanço da reforma trabalhista — e a criação de um escalonamento gradual na redução da jornada, respeitando as especificidades de cada setor e região. "Criar uma espécie de escalonamento, ano após ano, gerando esses benefícios da redução de jornada, mas trabalhar de forma heterogênea", propôs.

Carvalho também apontou que a Constituição pode não ser o instrumento mais adequado para garantir esses benefícios, e que mecanismos mais flexíveis seriam mais efetivos sob o aspecto da competitividade. Para ele, o Brasil precisa avançar em escolaridade, inovação, tecnologia e infraestrutura antes de impor mudanças abruptas nas relações de trabalho. "Nós não temos condições de competir com outros países que estão inundando o nosso mercado com seus produtos industrializados", concluiu.

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