FUTURO DA PRAIA

Prefeitura de Natal reconhece quatro desafios para otimizar a engorda de Ponta Negra

Prefeitura de Natal reconhece quatro desafios para otimizar a engorda de Ponta Negra

Após investimento de R$ 100 milhões, gestão municipal foca em rodolitos, espelhos d'água e cor da areia para plena eficácia da obra.

A Prefeitura de Natal, por meio do secretário de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB), Thiago Mesquita, admitiu que a grandiosa obra de engorda de Ponta Negra, que custou cerca de R$ 100 milhões, ainda enfrenta quatro grandes desafios. O reconhecimento público, feito nesta domingo, 03 de maio de 2026, busca garantir que a população e os turistas possam usufruir plenamente da praia, assegurando a total eficácia e a durabilidade do investimento feito na orla mais icônica da capital potiguar.

"Muita gente acha que o município está defendendo a obra de forma cega, que não vê nenhum problema. Não, pelo contrário. Reconhecemos pelo menos quatro grandes desafios", afirmou Mesquita ao BNews Natal, detalhando os obstáculos e abordando as polêmicas recentes, incluindo críticas que surgiram após as últimas chuvas na capital potiguar.

Esta reportagem integra uma série sobre o tema. Em matéria publicada na sexta-feira, 01 de maio de 2026, Mesquita esclareceu o processo de licenciamento ambiental e negou invasão ou pressão sobre o prédio do IDEMA para acelerar a liberação de licenças. No sábado, 02 de maio de 2026, o secretário defendeu a eficácia dos chamados "espelhos d'água" e a qualidade dos sedimentos usados na obra.

A engorda de Ponta Negra, uma intervenção de aproximadamente R$ 100 milhões com recursos federais e municipais, ampliou cerca de 4 km da orla, estendendo-se do Morro do Careca até o início da Via Costeira. A obra utilizou mais de 1 milhão de metros cúbicos de sedimentos, extraídos de uma jazida submarina a aproximadamente 10 km da costa, resultando em um acréscimo de cerca de 100 metros na faixa de areia durante a maré baixa e 50 metros na maré cheia.

Thiago Mesquita detalhou os quatro grandes desafios que a Prefeitura de Natal está determinada a superar:

O primeiro desafio, segundo Mesquita, são os rodolitos, algas calcárias esbranquiçadas que se assemelham a pedras e causam incômodo aos banhistas. "Já melhorou muito com a limpeza mecanizada. Nós vamos intensificar ainda mais a limpeza mecanizada, mas já houve um avanço em relação à presença daqueles materiais calcários que vieram da jazida do fundo do mar, que é normal e é encontrado em qualquer jazida, e que nós já avançamos muito", explicou. Desde fevereiro de 2025, a Prefeitura de Natal intensifica a remoção mecânica desses materiais, especialmente perto do Morro do Careca.

O segundo aspecto diz respeito à dinâmica de entrada e saída da água. "A DTA Engenharia, ao executar a obra, previu um projeto licenciado pelo IDEMA que exigia a colocação de uma berma, uma proteção, um talude, uma barreira de 3.05 metros de altura, próximo ao ponto onde o mar quebra, para garantir a eficiência do aterro hidráulico por anos. Obviamente, a interação da maré requer mais cuidado do que anteriormente. Isso tem sido suavizado cada vez mais. Quanto mais o tempo passa, mais a situação se normaliza, como já está bem normalizado próximo ao Morro do Careca, perto da área dos hotéis. Então, isso também foi um desafio que está acontecendo", destacou o secretário.

A cor da areia representa o terceiro desafio. Mesquita esclareceu as dúvidas de muitos que consideram a areia escura ou suja: "A areia nem está suja nem escura. A areia é branquinha, como era a areia da praia antes. A areia atual estava há milhares de anos no fundo do mar, em uma jazida profunda e com muita umidade. Quanto mais o tempo passa, quanto mais o processo de evaporação natural e o sol atuam sobre a areia, uma normalização da cor ocorre", garantiu.

Por fim, o quarto aspecto aborda os espelhos d'água. "Por mais que seja uma solução de engenharia, que tenha melhorado demais a requalificação da drenagem, evitando a descida acelerada da água e o arrasto do material, e por mais que a capacidade de infiltração seja rápida, na maior parte em menos de 24 horas, o município está trabalhando para melhorar ainda mais a drenagem e ampliar a capacidade de retenção de água antes de ela chegar no aterro hidráulico", explicou. Ele acrescentou que "isso fará com que esses espelhos de água sejam cada vez menores e menos extensos, melhorando ainda mais esse processo social e visual de quando chove em Ponta Negra", visando a plena satisfação dos visitantes e moradores.

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