POSITIVO BALANÇO

Poupança registra entrada líquida de R$ 2,6 bilhões em maio

Prédio do Banco Central em Brasília.
Banco Central (BC) divulgou relatório nesta terça-feira (09/06/2026).

Após perdas em anos anteriores, caderneta de poupança atraiu mais depósitos do que saques no último mês. Rendimentos somaram R$ 6,2 bilhões.

A caderneta de poupança registrou um saldo positivo em maio deste ano. Nesta terça-feira, 09/06/2026, o Banco Central (BC) divulgou que as entradas de dinheiro na aplicação superaram as saídas em R$ 2,6 bilhões. Este resultado marca uma virada importante para a poupança, que vinha acumulando mais retiradas do que depósitos nos últimos anos, impactando diretamente a confiança dos brasileiros na reserva financeira mais tradicional.

Em maio, o volume aplicado na poupança foi de R$ 368,4 bilhões, enquanto os saques totalizaram R$ 365,8 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas durante o mês alcançaram R$ 6,2 bilhões, elevando o saldo total da aplicação para pouco mais de R$ 1 trilhão. Essa entrada líquida representa um alívio para um produto financeiro que tem lutado para atrair investidores em um cenário de juros competitivos.

Esta é a primeira vez em 2026 que a poupança apresenta um fluxo líquido positivo. Em 2023 e 2024, as retiradas líquidas foram expressivas, somando R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. No ano passado, o saldo negativo chegou a R$ 85,6 bilhões, demonstrando a dificuldade da poupança em competir com outros investimentos.

No acumulado dos primeiros cinco meses de 2026, a caderneta ainda registra uma saída líquida de R$ 39,1 bilhões. Essa tendência de saques tem sido influenciada, em grande parte, pela manutenção da Taxa Selic – a taxa básica de juros da economia – em patamares elevados, que estimulam aplicações financeiras com maior potencial de retorno. A busca por segurança e rendimento tem levado muitos poupadores a migrarem para outras opções.

Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o nível mais alto em quase duas décadas. Essa conjuntura pressionou a rentabilidade da poupança, tornando-a menos atrativa em comparação a outros investimentos de renda fixa. A decisão de buscar alternativas mais rentáveis é uma estratégia comum para proteger o poder de compra e garantir o futuro financeiro em tempos de instabilidade econômica.

Na última reunião realizada em abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, a segunda redução consecutiva. Apesar das incertezas globais, como as tensões no Oriente Médio e as projeções de alta da inflação, o Copom manteve o ritmo de cortes, embora sem sinalizar os próximos passos. A estabilidade da taxa de juros é crucial para a previsibilidade do mercado e a confiança do investidor.

A Selic atua como o principal instrumento do Banco Central para assegurar o cumprimento da meta de inflação de 3% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a referência oficial para a inflação no país. O aumento da Selic visa arrefecer a demanda aquecida e, consequentemente, moderar os preços. Juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança, impactando o poder de compra das famílias.

Em abril, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,67%, impulsionado principalmente pela pressão dos preços dos alimentos. O acumulado em 12 meses atingiu 4,39%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mantendo-se dentro do teto da meta de inflação. A divulgação da inflação de maio está prevista para a próxima sexta-feira, 12 de junho, pelo IBGE.

*Com informações de Agência Brasil*

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