ENERGIA SUSTENTÁVEL

Potiguares abraçam a energia solar e economizam

Energia solar fotovoltaica em Assú, RN: Crescimento de 6,7% no Rio Grande do Norte e 1 GWp de capacidade instalada
Painéis fotovoltaicos em Assú, RN, refletem o crescimento da energia solar no Estado.

Com 122.297 unidades, setor expande 6,7% no RN e já soma mais de 1 GWp, revelam dados da Aneel.

O Rio Grande do Norte consolidou seu papel de destaque na geração de energia solar distribuída, ultrapassando a marca de 1 gigawatt-pico (GWp) de capacidade instalada e um crescimento de 6,7% até março de 2026, conforme dados revelados nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, pelo Observatório da Energia Solar, com base em informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Este avanço, impulsionado pela busca de consumidores e empresas por redução de custos com eletricidade e pela queda no preço dos equipamentos, transforma a realidade de 122.297 unidades em operação, promovendo mais autonomia financeira e sustentabilidade para a sociedade potiguar.

O volume acumulado de capacidade instalada superou 1.047,9 megawatts-pico (MWp), refletindo um acréscimo de 7.760 novos sistemas apenas no primeiro trimestre. Segundo Williman Oliveira, presidente da Associação Potiguar de Energias Renováveis (Aper), essa expansão é um testemunho da decisão dos potiguares em proteger seu orçamento. “A possibilidade de gerar a própria energia tem reduzido a exposição a reajustes tarifários, ao mesmo tempo em que a queda nos preços dos equipamentos tem tornado o investimento cada vez mais acessível e vantajoso para o cidadão comum e pequenos empreendedores”, explica Oliveira.

O segmento residencial lidera com folga a adoção da energia solar no Estado, concentrando 86,2% dos sistemas instalados e 64,9% da potência total. Em seguida, aparecem os sistemas comerciais, que respondem por 10% das conexões e 24,9% da capacidade instalada. A predominância das residências está associada à praticidade de instalar os painéis, frequentemente nos telhados de suas casas, e ao modelo de compensação de energia. “Há pelo menos o dobro de pessoas que utilizam a geração distribuída como compensação, já que uma usina pode atender de três a quatro residências”, afirma Oliveira, destacando como uma única usina remota pode, inclusive, atender a múltiplas residências ou estabelecimentos, democratizando ainda mais o acesso à energia limpa e econômica.

Na distribuição geográfica, Natal se posiciona na vanguarda em número de sistemas conectados, com 21.401 unidades e potência instalada de 187,4 mil kWp. Mossoró surge logo depois, com 20.367 conexões, seguida por Parnamirim, com 12.266. Juntos, esses três municípios concentram expressivos 44,2% das instalações em todo o Estado.

De acordo com o presidente da Aper, fatores urbanos e estruturais ajudam a explicar esse cenário. Em Mossoró, por exemplo, a grande quantidade de casas facilita a instalação dos sistemas, enquanto em Natal há uma combinação equilibrada entre residências e edifícios que também aderiram à tecnologia verde.

Lorena Roosevelt, gerente do Polo de Energias Renováveis do Sebrae-RN, salienta que o crescimento do setor está intrinsecamente ligado ao maior conhecimento dos consumidores sobre os benefícios da energia solar e à qualificação crescente das empresas que atuam na área. Fatores externos, como a volatilidade do mercado de petróleo e a expansão dos veículos elétricos, também contribuem significativamente para esse avanço. “O consumidor consegue gerar sua própria energia e utilizá-la, por exemplo, para carregar veículos elétricos, o que amplia os ganhos econômicos e fornece um ciclo virtuoso de economia e modernidade para famílias e empresas, impulsionando a mobilidade elétrica e a independência energética”, ressalta Roosevelt.

Embora o segmento residencial concentre a maior parte das instalações, há uma notável expansão também nos setores comercial, industrial e do agronegócio. A avaliação de especialistas é que a geração distribuída tende a se consolidar como uma alternativa acessível e descentralizada, que traz impacto direto na redução dos custos fixos e fomenta o surgimento e a expansão de pequenos negócios em todo o Estado, reforçando a economia local e promovendo um futuro mais sustentável para o Rio Grande do Norte.

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