MEMÓRIA E JUSTIÇA
Ponte de Igapó perde nome de referência à ditadura em cadastro federal
Decisão do Dnit segue recomendação do MPF para remover homenagens a figuras do regime militar em logradouros públicos.
A Ponte de Igapó, via estruturante que conecta a zona Norte às demais regiões de Natal, deixou de ser identificada oficialmente com o nome do ex-presidente Costa e Silva no cadastro do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). A mudança, concretizada na segunda-feira (24/08/2026), atende a uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) voltada à revisão de nomenclaturas que exaltam o período da ditadura militar.
Conforme o órgão ministerial, a denominação anterior não possuía amparo em lei federal, figurando apenas como referência local na base de dados do Sistema Nacional de Viação. Com a adequação técnica, a estrutura passou a ser oficialmente registrada como "ponte sobre o Rio Potengi". A medida é definitiva, uma vez que se trata de uma retificação de registro administrativo baseada na ausência de lastro legal para a nomeação preexistente.
Para a sociedade, a alteração representa um passo na consolidação de uma memória coletiva pautada na neutralidade democrática, removendo do cotidiano urbano nomes que remetem a um período de supressão de direitos civis. O impacto transcende o cadastro administrativo, influenciando a percepção histórica dos cidadãos sobre os espaços que habitam.
A retificação integra uma série de recomendações expedidas pelo MPF ao longo de 2025 para substituir denominações de ruas, pontes e espaços públicos que prestam homenagem a figuras ou marcos da ditadura civil-militar (1964-1985). O movimento de redemocratização de logradouros também atingiu outros municípios: em São José de Mipibu, a antiga Rua 31 de Março foi renomeada para Rua Mirandolinda Teixeira de Andrade, após sanção de lei municipal em fevereiro de 2026.
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