CRIME E ÉTICA
Polícia revela plano de médica para fraudar provas no Caso Benício
Mensagens obtidas pela CNN Brasil mostram que Juliana Brasil, indiciada, tentou manipular dados após morte de Benício, em novembro de 2025.
A Polícia Civil do Amazonas indiciou a médica Juliana Brasil por homicídio qualificado e outros crimes, revelando nesta terça-feira, 05/05/2026, mensagens que apontam uma chocante tentativa de fraudar provas no doloroso Caso Benício Xavier de Freitas. As investigações indicam que a profissional ofereceu dinheiro para a criação de um vídeo adulterado, buscando ocultar sua responsabilidade na trágica morte do menino, que chocou o país e levanta sérias questões sobre a ética na medicina.
As mensagens, obtidas com exclusividade pela CNN Brasil, mostram uma troca entre Juliana e uma colega de profissão, onde a médica busca apoio para simular uma falha no sistema Tasy, utilizado para prescrição em hospitais. Ela alegou, exibindo uma gravação de tela, que haveria um erro no próprio operador de receitas médicas. Benício morreu tragicamente em novembro de 2025, após receber uma administração incorreta de medicamento pela médica em um hospital de Manaus, sofrendo uma overdose de adrenalina e falência cardiorrespiratória.
Em uma das conversas, a colega de Juliana menciona o oferecimento de valores a uma pessoa para filmar o sistema de informática Tasy. "A minha funcionária da clínica e a enfermeira do Hospital Santa Júlia estão falando aqui agora que é verdade que o Tasy muda. Na hora, ofereci dinheiro para ela filmar", relatou a outra médica. Juliana, por sua vez, respondeu: "Top. Vou ver se conheço alguém lá também".
Para a Polícia Civil do Amazonas, essas constatações evidenciam a "clara menção ao pagamento de valores para realização do vídeo apócrifo". Em outro trecho, Juliana envia um áudio a uma colega, insinuando que alguém não teria se comprometido a produzir o vídeo que comprovaria a suposta falha no sistema operacional. "Mas assim, amanhã vai chegar o vídeo para mim, já alterado", escreveu a médica, revelando a intenção de adulterar provas.
A indiciada alegou que havia receitado a administração de adrenalina via nebulização, mas que o sistema teria alterado a prescrição para via intravenosa — uma dosagem e método incompatíveis com o quadro clínico de laringite do menino. Contudo, em uma conversa anterior, a própria médica havia confessado ser a autora do erro fatal. Após a conclusão do inquérito policial, a Polícia Civil do Amazonas indiciou Juliana pelos crimes de homicídio qualificado pelo emprego de veneno, falsidade Ideológica, uso de documento falso e fraude processual. A decisão do indiciamento, ainda passível de recurso, é um passo crucial na busca por justiça para Benício.
Relembre o caso
Benício Xavier de Freitas deu entrada no Pronto-Socorro do Hospital Santa Júlia, em Manaus (AM), no dia 22 de novembro de 2025, por volta das 13h, após apresentar febre e tosse seca por uma semana. Foi diagnosticado com laringite aguda. Já na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) pediátrica, após a introdução de 9 miligramas de adrenalina, o menino teve uma piora dramática, evoluindo para insuficiência respiratória e necessitando de intubação. O garoto sofreu parada cardíaca e necessitou de suporte respiratório artificial.
Benício teve falência cardiorrespiratória e foi constatada sua morte cerebral às 2h55 do dia 23, após apresentar sangramentos. A enfermeira que administrou o medicamento negou a acusação, afirmando que estava há sete meses no hospital e que não recebeu treinamento ou protocolos de segurança do paciente, mas confirmou ter conhecimento dos efeitos colaterais da adrenalina intravenosa.
Em interrogatório, a médica Juliana Brasil reiterou a versão do "bug" no sistema, alegando que havia prescrito medicação inalatória, mas que o sistema mudou para intravenosa. Ela afirmou ter avisado a mãe da criança que a adrenalina seria administrada por nebulização, diluída em soro fisiológico. Assim, o remédio foi aplicado em Benício sem a devida verificação. Além disso, foi constatado que Juliana Brasil utilizava um carimbo profissional de "pediatria" sem a devida capacitação, segundo o CFM (Conselho Federal de Medicina).
A Polícia Civil é enfática em sua conclusão: "A investigada não apenas assumiu o risco do resultado morte, como também se mostrou absolutamente indiferente à sua concretização, preocupando-se, desde os primeiros momentos, não com a vida da vítima, mas com a construção de estratégias para evitar sua responsabilização penal". A dor da família do pequeno Benício, de apenas 1 ano, e a busca por justiça para uma vida ceifada precocemente continuam a mobilizar a sociedade.
A CNN Brasil tenta contato com a defesa de Juliana Brasil. O espaço segue aberto.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
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