DELAÇÃO PREMIADA

Polícia Federal retoma negociação de delação com Daniel Vorcaro após rejeitar proposta inicial

Daniel Vorcaro, banqueiro investigado.
Daniel Vorcaro, banqueiro investigado.

Ministro do STF André Mendonça autorizou retorno do ex-banqueiro a cela especial na PF em Brasília. PGR avalia que negociação não deveria ser encerrada na primeira proposta.

A Polícia Federal enviou ofício ao ministro do STF André Mendonça comunicando o interesse em retomar as negociações de delação premiada com Daniel Vorcaro. A PF havia recusado a proposta inicial do ex-banqueiro em 20 de maio, por considerar as informações apresentadas insuficientes, conforme noticiado pela Folha de São Paulo. A decisão de retomar as tratativas, anunciada nesta quinta-feira, 28/05/2026, busca garantir a recuperação de valores que podem chegar a R$ 60 bilhões, impactando diretamente a busca por justiça e a reparação de danos causados por irregularidades apuradas no caso do Banco Master.

A avaliação dos investigadores era de que os relatos de Vorcaro não foram além das provas já obtidas nas apurações, como diálogos extraídos de celulares. Desde então, o ex-banqueiro sinalizou interesse em continuar as tratativas com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

A PGR, por sua vez, entendia que uma negociação desse porte não deveria ser encerrada na primeira proposta e prosseguiu nas discussões. A expectativa é de que Vorcaro ressarça até R$ 60 bilhões pelas irregularidades apuradas no caso do Banco Master, um montante que poderia mitigar significativamente os prejuízos causados.

No dia 22 de maio, o advogado Luis Oliveira Lima, o Juca, que conduzia as tratativas, deixou a defesa do ex-banqueiro. Assumiu o caso o advogado Sérgio Leonardo, que tem relação próxima com Vorcaro desde a juventude, o que pode trazer novas dinâmicas ao processo.

Em uma decisão voltada à garantia da integridade do processo, Mendonça autorizou o retorno de Vorcaro a uma cela especial na superintendência da PF em Brasília. A justificativa foi um parecer da PGR que apontava risco de destruição de provas e intimidação de testemunhas caso ele permanecesse na cela comum, resguardando assim a dignidade das testemunhas e a fidedignidade das investigações.

A retomada das negociações não garante que a delação será aceita, segundo investigadores. Novos elementos apresentados pela defesa podem influenciar a decisão, mas os termos aplicados a Vorcaro são considerados rígidos, uma vez que ele é apontado como líder do esquema investigado.

Para que o ressarcimento ocorra, Vorcaro deverá indicar em quais contas estão os valores desviados e como pretende devolvê-los. Ele também poderá indicar bens como aviões e imóveis para quitar as quantias. Os custos da quebra do Banco Master superam R$ 57 bilhões, segundo dados divulgados, e a recuperação desses valores é crucial.

Para ser validada, a delação de Vorcaro ainda depende da aprovação do ministro André Mendonça, relator dos inquéritos do Banco Master no STF. A defesa do ex-banqueiro não se manifestou quando procurada, mas o desfecho terá grande repercussão.

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