OPERAÇÃO MENS OCCULTA

Polícia Federal desmantela organização familiar de tráfico internacional e lavagem de dinheiro

Imagem da Operação Mens Occulta com policiais federais.
Operação Mens Occulta mobiliza 230 policiais federais para cumprir 74 mandados em Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. — Foto: PF/Divulgação

Familiares de "Serjão do PCC" continuaram atuando mesmo após apreensões de mais de 2 toneladas de cocaína, movimentando cerca de R$ 70 milhões em cinco anos.

A Polícia Federal (PF) desarticulou, na quinta-feira, 04/06/2026, uma organização criminosa familiar dedicada ao tráfico internacional de cocaína e à lavagem de dinheiro. A operação "Mens Occulta" investiga as atividades de Mario Sergio Nunes, conhecido como "Serjão do PCC", e seus familiares, que teriam movimentado cerca de R$ 70 milhões nos últimos cinco anos, mesmo diante de nove grandes apreensões em um ano. O grupo é apontado como núcleo principal de uma extensa rede criminosa. A PF estima que as mais de 2 toneladas de cocaína ligadas ao grupo, apreendidas ao longo das investigações, representem apenas uma fração do total movimentado. A organização tratava o tráfico como uma atividade estruturada, calculando as perdas com apreensões como custos operacionais. Para ilustrar a continuidade da atuação, a polícia identificou que, em janeiro de 2025, dois motoristas ligados ao grupo, presos em flagrante, realizaram três viagens suspeitas cada, com apreensão de carga em apenas uma delas. A investigação apurou que a família Nunes utilizava empresas de fachada, como transportadoras e distribuidoras de bebidas, para registrar veículos, movimentar dinheiro e ocultar patrimônio. As apreensões ocorreram em diversos estados, incluindo Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás. Um exemplo é a apreensão em 5 de setembro de 2024, quando 312,1 quilos de cocaína foram encontrados entre Colorado (RO) e Uberlândia (MG), transportados por um motorista ligado a uma empresa registrada em nome de terceiros, mas controlada por Mario Sergio Nunes. Outras apreensões relevantes incluíram 125 quilos em Jaraguari (MS), 50 quilos em Uberlândia, 126,2 quilos em Água Clara (MS), 425 quilos em Itapagipe (MG), 30 barras de skunk, R$ 100 mil em dinheiro e duas armas em Curvelo (MG), 423 quilos em Campo Grande (MS), e 144 tabletes de cocaína em Uberaba (MG). A nona apreensão ocorreu em abril de 2025, com 368 quilos de cocaína e pasta base em Campo Grande (MS), poucos dias após um dos veículos envolvidos ter sido negociado pelo ex-genro de Mario Sergio Nunes, Rhanniery Nunes Graciano, também investigado. Mario Sergio Nunes, apontado como líder, seria responsável por coordenar motoristas, laranjas e testas de ferro para ocultar patrimônio e movimentações financeiras. Sua esposa, Maria Lourdetis Ferreira Silva Nunes, também é investigada por auxiliar na estrutura financeira e ocultação de patrimônio. As filhas Bruna Silva Nunes e Brenda Silva Nunes são acusadas de atuar na comunicação entre integrantes, movimentações financeiras e padrão de vida incompatível com a renda declarada. O delegado Felipe Martins Perez Garcia destacou que a família mantinha um padrão de vida elevado, incompatível com a renda oficial, adquirindo bens como cavalos de competição, lanchas e veículos de luxo. Brenda e Mario Sergio foram presos em Uberaba, em um hotel, indicando possível planejamento de fuga. A organização trazia cocaína do Paraguai, adentrava o país pelo Mato Grosso do Sul, seguia para Uberlândia e era distribuída nacionalmente. A defesa da família Nunes declarou que ainda não teve acesso integral ao processo sigiloso e confia nas instituições para os devidos esclarecimentos, aguardando o devido processo legal.

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