CRIME MILIONÁRIO
Polícia Federal desmantela fraude de R$ 770 milhões
Operações Títulos Podres e Consulesa – Fase 2 miram escritórios de advocacia e consultorias em cinco estados. Justiça Federal bloqueia R$ 32 milhões para ressarcimento.
A Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público Federal, desarticulou nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026, um sofisticado esquema bilionário de fraudes tributárias. A ação conjunta, que deflagrou as operações Títulos Podres e Consulesa – Fase 2, visou interromper a utilização de créditos fiscais falsos, popularmente conhecidos como “títulos podres”, para abater e quitar irregularmente impostos federais. A dimensão da fraude, que movimentou cerca de R$ 770 milhões, representa um duro golpe nos cofres públicos e na confiança da sociedade na integridade do sistema tributário.
As investigações revelam que a organização criminosa orquestrou um esquema complexo que movimentou aproximadamente R$ 770 milhões em fraudes e lavagem de dinheiro. Essa rede intrincada envolvia diretamente empresas, consultorias tributárias e escritórios de advocacia, além de ter a participação de alguns servidores públicos, ampliando o impacto negativo para a administração pública.
Batizadas de Operação Títulos Podres e Operação Consulesa – Fase 2, as ações conjuntas executaram um total de 79 mandados judiciais. Estes foram cumpridos em 17 cidades espalhadas por cinco estados brasileiros: Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Maranhão, demonstrando a vasta abrangência da rede criminosa.
A Polícia Federal detalha que a organização ofertava "soluções tributárias" ilusórias a empresários e prefeituras. A promessa era a de reduzir ou eliminar dívidas fiscais por meio da aplicação de créditos fraudulentos, uma tática que enganava as vítimas e desviava recursos que deveriam ser destinados ao bem-estar coletivo.
Para concretizar as fraudes, o esquema empregava métodos sofisticados, incluindo procurações eletrônicas, a abertura de contas em nome de terceiros e mecanismos de dissimulação patrimonial, característicos de operações de lavagem de dinheiro, dificultando o rastreamento dos valores desviados.
Especificamente na Operação Consulesa, foram expedidos 29 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva, executados em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Os desvios identificados apenas nesta frente superam a marca de R$ 670 milhões, evidenciando a grandiosidade do prejuízo causado.
Paralelamente, a Operação Títulos Podres cumpriu 40 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão temporária. As ações ocorreram em diversas cidades de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Maranhão, fortalecendo o cerco contra os envolvidos.
Entre os alvos das operações, destacam-se pelo menos dez advogados, indicados como peças-chave na operação do esquema criminoso. Sua atuação reforça a seriedade e o nível de organização da rede.
Em um passo crucial para a recuperação dos valores desviados, a Justiça Federal determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 32 milhões em bens e valores dos investigados. Essa medida busca garantir o eventual ressarcimento aos cofres públicos, minimizando o impacto da fraude na sociedade.
A magnitude da operação exigiu um efetivo considerável: cerca de 215 policiais federais e 43 auditores e analistas da Receita Federal foram mobilizados para a ofensiva contra a fraude, demonstrando a complexidade e a importância da investigação.
A Polícia Federal reitera que o principal objetivo das operações é desmantelar por completo a organização criminosa, assegurar a preservação de provas cruciais, recuperar os ativos desviados e aprofundar as investigações. O intuito é identificar todos os envolvidos e mensurar a extensão total das fraudes, garantindo que a justiça seja feita.
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