MÁFIA E TRÁFICO
Polícia Federal desarticula elo entre brasileiros e a máfia italiana 'Ndrangheta
Investigação revela conexão direta em esquema que escoava mais de duas toneladas de cocaína para Europa e África. Justiça bloqueia R$ 631 milhões em bens.
A Polícia Federal desvendou um elo direto entre traficantes brasileiros e a organização criminosa italiana 'Ndrangheta. A descoberta ocorreu durante a investigação da Operação Narco Sky, que apura o transporte de mais de duas toneladas de cocaína por ano, partindo do Brasil para Europa e África, utilizando rotas marítimas.
A 5ª Vara Federal de Santos, no litoral de São Paulo, emitiu dez mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão. A decisão, obtida nesta terça-feira, 09/06/2026, também determinou o bloqueio e sequestro de mais de R$ 631 milhões em bens, valores e criptoativos. Essa quantia corresponde a três toneladas de cocaína apreendidas anteriormente, no contexto da Operação Narco Vela, da qual a Narco Sky é um desdobramento.
A estrutura criminosa era hierarquizada e possuía alta capacidade de articular operações transnacionais. 'Ficou evidenciado a existência de uma estrutura hierarquizada, com especialização técnica e alta capacidade de articular operações transnacionais realizadas, inclusive, com a organização mafiosa italiana 'Ndrangheta', destacou a decisão judicial. A máfia italiana, com atuação em mais de 40 países, é conhecida pela sua complexidade e alcance global.
A cooperação internacional foi crucial para o avanço das investigações. Autoridades francesas compartilharam provas obtidas a partir da análise de dados apreendidos em servidores da SKY ECC, uma plataforma de comunicação criptografada. Essa plataforma era utilizada pelos investigados para ocultar tratativas criminosas de transporte de cocaína para a Europa, dificultando a ação das autoridades.
As investigações identificaram ao menos sete casos ocorridos em 2020, totalizando o transporte ilegal de 2,3 toneladas de cocaína por meio de navios em portos do Brasil, Espanha, Itália e Holanda. Uma das ocorrências envolveu a inserção de 80 kg de cocaína em um navio no Porto de Santos, em 30 de março de 2020. Outra apreensão de 321 kg de pasta base da droga ocorreu em Guarujá (SP), em 8 de julho daquele ano, onde os criminosos tentaram ocultar a carga.
A estrutura criminosa contava com um núcleo de direção e financiamento sediado fora do país, um comando nacional para coordenação logística no Brasil e células operacionais para o preparo, armazenamento e movimentação da droga.
A Operação Narco Sky foi deflagrada no dia 2 deste mês, com ações em São Paulo, Rio Grande do Sul e Pará. A Polícia Federal solicitou a inclusão de dois investigados na Difusão Vermelha da Interpol. São eles Antun Mrdeza, conhecido como Nikola Boros ou Jhon Gotti, e Alejandro Salgado Vega, o Tigre, considerados lideranças europeias do grupo. Mrdeza, de origem sérvia, é apontado como integrante de um centro de comando global do narcotráfico com investigações em sete países.
Outros oito alvos da operação foram identificados como Marco Aurélio de Souza (Lelinho), Pedro Alonso Camacho Fernandez (Vince), Rafael Gonçalves Sayão (Cabelinho), Antônio Greg Ribeiro Pinheiro (Fisherman), Fábio Rodrigues Ulhoa Cintra (Sapão), Walter Pires Junior (Waltinho), Ivan de Freitas Santos e Klaus de Castro Rios Motta e Silva.
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