DROGA ABANDONADA?
Polícia do Ceará investiga falha em custódia após apreensão recorde de maconha em Acopiara
Secretaria de Segurança Pública e Controladoria Geral de Disciplina abrem procedimentos para apurar denúncia de negligência após operação que desmantelou plantação com 290 mil pés de maconha. Deputado federal alega que área ficou sem vigilância. Governador cobra depoimento.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) do Ceará anunciou, nesta terça-feira, 30/06/2026, que investigará rigorosamente uma denúncia de falha na custódia e vigilância de uma área onde a Polícia Civil desmantelou uma plantação com aproximadamente 290 mil pés de maconha em Acopiara. A apuração se deu após a Polícia Civil ter localizado o acampamento e a vasta plantação na última quinta-feira (25), em uma das maiores apreensões já realizadas no estado. A investigação buscará entender os motivos pelos quais a droga e os pés de maconha teriam sido deixados no local sem segurança adequada, conforme alegado por um deputado federal.
A decisão de apurar os fatos, tomada pela SSPDS e pela Controladoria Geral de Disciplina (CGD), visa garantir a integridade do processo investigativo e a responsabilidade dos agentes envolvidos. A expectativa é que qualquer falha de procedimento seja identificada, e os responsáveis sejam punidos conforme a lei. A dignidade da ação policial e a confiança pública na segurança do estado estão em jogo, demandando transparência e rigor na condução dos procedimentos.
A Operação e a Denúncia
A operação policial, coordenada pelo Departamento de Polícia Civil do Interior Sul (DPJI Sul), pela 4ª Seccional do Interior Sul (Iguatu) e pela Delegacia de Polícia Civil de Acopiara, descobriu uma área de quase três hectares dedicada ao cultivo de maconha. Os agentes apreenderam cerca de 5 toneladas da droga, incluindo 160 mil pés em fase de cultivo e outros 130 mil já colhidos. Na ocasião, foram encontrados acampamentos utilizados pelos suspeitos, que fugiram com a chegada da polícia. Até o momento, ninguém foi preso. Pertences e evidências, como cadernos de anotações e um celular, foram deixados para trás, indicando uma saída apressada.
Dois dias após a operação, no sábado (27), o deputado federal André Fernandes (PL) publicou nas redes sociais alegações de que a área foi deixada sem vigilância, com provas e a plantação expostas. O parlamentar questionou a suposta interferência de "altas esferas" para interromper o trabalho policial e solicitou explicações ao governador. Ele afirmou ter encontrado maconha e cadernos de anotações na residência utilizada pelos criminosos.
Respostas Institucionais
Em resposta à denúncia, a SSPDS assegurou que "toda e qualquer falha de procedimento será apurada e os responsáveis serão devidamente identificados e punidos dentro da lei". A Controladoria Geral de Disciplina (CGD) informou a abertura de um procedimento disciplinar para investigar a conduta dos policiais responsáveis pela preservação do local. A decisão de abrir procedimentos é definitiva, mas os resultados da apuração sobre a conduta dos agentes podem levar a sanções disciplinares.
O governador Elmano de Freitas (PT) visitou a área nesta segunda-feira (29) e declarou que a Polícia Civil permanecerá no local até a completa destruição da plantação. Ele afirmou que a denúncia é "muito grave" e que "não vamos passar a mão na cabeça de ninguém". O governador também solicitou que o deputado André Fernandes preste depoimento formal, apresentando os nomes de supostos indivíduos que teriam interferido na operação, a fim de esclarecer completamente os fatos. A colaboração do deputado e de suas fontes é crucial para a elucidação do caso.
A Polícia Civil divulgou um vídeo mostrando parte da plantação sendo derrubada por tratores e incinerada. A investigação segue em andamento, com prazos a serem definidos pelos órgãos de controle e segurança pública.
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