JUSTIÇA SEM CESSAR

Polícia de SP prende 5º suspeito de estupro coletivo de crianças

Coletiva de imprensa da Polícia Civil de São Paulo sobre a detenção dos suspeitos de estupro coletivo de crianças.
Os delegados Júlio Geraldo e Janaína Silva Dziadowczyk, do 63° DP, junto com o secretário de Segurança Pública, Oswaldo Nico Gonçalves. — Foto: Reprodução/TV Globo

A Polícia Civil de São Paulo, nesta segunda-feira, 04/05/2026, deteve o quinto envolvido e iniciou a transferência de um adulto, Alessandro Martins dos Santos, ambos procurados por participação no brutal estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, ocorrido em 21 de abril na Zona Leste da capital.

A Polícia Civil de São Paulo anunciou nesta segunda-feira, 04/05/2026, a detenção do quinto suspeito e a iminente transferência de Alessandro Martins dos Santos, um homem de 21 anos, ambos procurados por envolvimento no chocante estupro coletivo de duas crianças, um menino de 7 e uma menina de 10 anos. O crime, que abalou a Zona Leste da capital paulista em 21 de abril, representa uma grave violação da dignidade e segurança infantil. A ação das autoridades reforça o compromisso em levar à justiça os responsáveis por crimes que causam profundo sofrimento às vítimas e à sociedade.

O quinto indivíduo localizado é um adolescente que estava foragido. Anteriormente, no mês de abril, outros três menores de 18 anos já haviam sido apreendidos. Alessandro Martins dos Santos, o único adulto implicado, foi capturado na sexta-feira, primeiro de maio, na Bahia, e sua transferência para São Paulo está prevista para ainda nesta segunda-feira, 04/05/2026.

Santos, considerado o único adulto com envolvimento direto, foi localizado pela Polícia Civil na cidade de Brejões, no interior baiano. Em seu depoimento, ele admitiu participação nos abusos e alegou ter fugido de São Paulo após receber ameaças de criminosos. A defesa do acusado não foi contatada pela reportagem.

A Polícia Civil agora concentra esforços em identificar os responsáveis pelas ameaças e apurar se elas visavam intimidar as famílias das crianças para que não denunciassem o ocorrido às autoridades, um ato de covardia que tenta silenciar a busca por justiça.

Entre os quatro adolescentes envolvidos, dois foram apreendidos na capital paulista e um terceiro em Jundiaí, no interior do estado. O quarto menor foi localizado após a polícia estabelecer contato com seus familiares, que colaboraram para sua apresentação na delegacia.

Os cinco suspeitos enfrentarão acusações de estupro de vulnerável, divulgação de imagens dos abusos e corrupção de menores, crimes que refletem a gravidade de suas ações e o impacto devastador sobre as vidas das crianças.

A investigação detalha que o adulto e os adolescentes atraíram as vítimas com um convite aparentemente inocente para empinar pipa, um artifício cruel antes da execução do crime. Conforme apurado pelo 63º Distrito Policial (DP) da Vila Jacuí, os agressores conheciam as crianças e se valeram dessa relação de confiança para conduzi-las ao imóvel onde os abusos foram cometidos, revelando uma traição profunda.

"Eles eram vizinhos e as crianças depositavam confiança neles. Fizeram um convite para soltar pipa e as atraíram para o imóvel sob o pretexto de que lá havia linha", explicou a delegada Janaína Silva Dziadowczyk, que acompanha o caso.

A barbárie só veio à tona em 24 de abril, três dias após os fatos, quando a irmã de uma das vítimas, em um ato de coragem, deparou-se com imagens dos abusos circulando nas redes sociais e imediatamente procurou a delegacia para denunciar. Em apenas cinco dias, a Polícia Civil conseguiu identificar todos os envolvidos, demonstrando a agilidade da força-tarefa montada.

Os policiais revelaram que a família das vítimas vinha sofrendo intensa pressão de parte da comunidade para não registrar um boletim de ocorrência, um reflexo do medo e da tentativa de acobertar o crime.

"As vítimas estavam sob pressão para não registrar o boletim de ocorrência na delegacia. Apesar de o material já estar circulando amplamente na internet, a família ainda não havia formalizado a queixa", reiterou a delegada.

Polícia relata que família tomou conhecimento dos abusos por redes sociais

A irmã, responsável pela denúncia, não residia com a mãe das crianças e somente tomou conhecimento da tragédia ao reconhecer o irmão mais novo nas cenas que se espalhavam pelas redes sociais. Segundo as autoridades, a família foi forçada a deixar a comunidade às pressas, temendo as ameaças recebidas.

"Houve situações em que pessoas fugiram apenas com a roupa do corpo. Foi um desafio localizar essas vítimas. Elas foram trazidas à delegacia, ouvidas, e as crianças passaram por exames necessários", relatou a delegada, evidenciando o drama vivido.

A investigação também revelou que Alessandro Martins dos Santos, o homem detido na Bahia, teve a iniciativa de gravar os abusos. Ele registrou os atos com seu próprio celular e distribuiu os vídeos para amigos via WhatsApp. Essas imagens, então, se disseminaram pelas redes sociais, configurando também um crime grave. As forças policiais agora trabalham para identificar todos os envolvidos na propagação desse material vil.

"Nossa prioridade inicial foi identificar e capturar os agressores. Agora, em uma segunda fase, vamos apurar e responsabilizar quem divulgou e compartilhou essas imagens cruéis", afirmou o delegado Júlio Geraldo, titular do 63º DP.

As crianças vítimas recebem suporte médico e psicológico intensivo, além de acompanhamento constante do Conselho Tutelar. As famílias também foram acolhidas por serviços sociais da Prefeitura de São Paulo, recebendo todo o apoio necessário. O paradeiro delas permanece em sigilo absoluto, medida essencial para a proteção das vítimas, conforme preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

*Com informações do g1

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