AVANÇO NA INVESTIGAÇÃO

Polícia Civil não comprova sequestro no caso paçoca, afirma defesa

Advogado Otoniel Maia relata abalo emocional de adolescentes após caso da paçoca em Natal.
O advogado Otoniel Maia, defensor dos adolescentes investigados no caso da paçoca em Natal.

Otoniel Maia, advogado dos adolescentes, garante que a DEA concluiu pela inexistência do rapto em Natal; jovens estariam arrependidos por injúria racial.

A defesa que representa os adolescentes investigados por supostos atos contra crianças vendedoras de paçoca em semáforos de Natal se manifestou nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026. Otoniel Maia, advogado dos jovens, concedeu entrevista à TV Tropical e negou a acusação de sequestro envolvendo uma das crianças. Ele afirmou ainda que os adolescentes estão "extremamente arrependidos e abalados" pela grande repercussão do caso. A manifestação da defesa busca esclarecer os fatos em um momento de intensa comoção social, ressaltando a complexidade das interações e o impacto nas vidas de todos os envolvidos, especialmente a dignidade das crianças.

As denúncias que mobilizaram a comunidade envolvem dois adolescentes, de 16 e 17 anos. A primeira acusação partiu de uma criança de 11 anos, que relatou ter sido vítima de injúria racial. Segundo o advogado, o episódio ocorreu durante uma interação que os adolescentes teriam interpretado como uma "brincadeira", embora reconheçam a gravidade e o impacto negativo do ato.

“Houve umas brincadeiras, ainda à tarde, e uma das crianças teria brincado com eles e eles, retribuindo, na versão deles, contada na Delegacia, teriam feito aquele fato que é reprovável. É o fato que a Polícia vai analisar”, declarou Otoniel Maia, reiterando a seriedade com que a investigação deve tratar o ocorrido e o respeito às crianças.

O momento que gerou indignação foi registrado pelos próprios adolescentes: um deles derruba as paçocas da criança enquanto o outro filmava a ação. A defesa, contudo, apontou que os jovens retornaram ao local no mesmo dia para pedir desculpas e tentar remediar a situação. “Eles fazem aquilo, naquele momento achando que era uma brincadeira, um derruba a paçoca e o outro grava e dá um grito. Porém, é importante que se diga que naquele mesmo dia, à noite, o adolescente volta lá na mesma lanchonete, encontra novamente as crianças e senta lá, pede desculpas e paga até lanche”, relatou o advogado, indicando um possível arrependimento.

A segunda denúncia, ainda mais grave, envolve uma criança de 10 anos, também vendedora de paçoca em semáforos, que alegou ter sido sequestrada e colocada no porta-malas de um carro pelos adolescentes. A defesa refutou essa acusação com veemência, afirmando que a Polícia Civil não encontrou provas que sustentassem o relato, trazendo um alívio parcial em meio à tensão.

Conforme Otoniel Maia, a Delegacia Especializada em Atendimento ao Adolescente Infrator (DEA) conduziu uma apuração minuciosa. Foram levantadas imagens de câmeras de segurança e ouvidas as crianças envolvidas no caso. A defesa assegura que a investigação policial concluiu pela inexistência do sequestro. “A Polícia Civil fez uma apuração minuciosa, fez levantamento de câmeras de vídeos – inclusive através da fala das próprias crianças, que são duas, que essa situação de colocar a criança em mala de carro, de soltar a criança em bairro distante – e constatou não ter existido”, explicou. Familiares dos adolescentes também contribuíram com a investigação, entregando imagens de segurança.

O Contexto da Investigação

A Polícia Civil de Mossoró investiga dois episódios distintos envolvendo crianças e adolescentes que ganharam repercussão nas redes sociais. Um dos casos, uma denúncia de injúria racial, foi registrado no sábado, 9 de maio de 2026, à tarde. O outro, o suposto sequestro, teria ocorrido na noite de segunda-feira, 11 de maio de 2026. Segundo o delegado Rafael Arraes, da Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente (DEA), as ocorrências estão sendo apuradas separadamente pelas equipes.

No primeiro caso, três adolescentes foram identificados. Conforme a investigação, o grupo se envolveu em um desentendimento com uma criança de 10 anos nas proximidades de uma lanchonete, culminando na prática de injúria racial, filmada e divulgada. As imagens, que chocaram a internet, mostram a criança se aproximando do carro e, em seguida, suas paçocas sendo derrubadas na rua.

“Segundo eles, a criança, de apenas 10 anos, teria tido um desentendimento quando eles chegaram à lanchonete e eles, para revidar, fizeram essa situação e ainda filmaram e postaram em rede social. Um fato repugnante”, declarou Rafael Arraes. A vítima compareceu à Delegacia acompanhada da mãe para registrar boletim de ocorrência. O delegado confirmou que não houve relato de sequestro relacionado a este episódio e que um dos investigados também pode responder por uma infração de trânsito, por conduzir veículo sem habilitação.

O segundo caso, que gerou o boato de sequestro, envolvia a criança de 11 anos que relatou ter sido forçada a entrar em um carro preto por quatro adolescentes. A Polícia, no entanto, identificou inconsistências no relato da criança, conforme mencionado pela defesa, e as informações estão sendo verificadas para a conclusão do inquérito. A investigação segue em curso, buscando a verdade dos fatos e a responsabilização adequada, garantindo a proteção e a dignidade das crianças envolvidas.

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